Rio de Janeiro

Para neutralizar Mourão, Cláudio Castro nomeia vice-presidente do PRTB para cargo no Rio

Entrada de general na disputa fluminense atrapalharia planos do atual governador de reunir eleitorado bolsonarista em torno de sua candidatura

Governador do Rio de Janeiro, Cláudio CastroGovernador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro - Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro/Flick

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), publicou a nomeação de Felipe da Silva Santos, vice-presidente estadual do PRTB, como novo comandante da Coordenadoria de Educação para o Trânsito do Detran-RJ.

O movimento é visto como uma tentativa do atual ocupante do Palácio Guanabara, que busca a reeleição, de diminuir as chances de uma eventual candidatura do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão — que pertence à legenda de Silva Santos. Castro aposta em manter a base de eleitores bolsonaristas unida em torno de seu nome, o que pode não acontecer com a entrada de Mourão no pleito do Rio.

À colunista do Extra Berenice Seara, o vice-presidente do PRTB fluminense negou que a sua nomeação para o Detran do estado seja um movimento de aproximação de Castro e que signifique a entrada do partido na base do atual governador para a disputa de outubro.

— O PRTB é uma coisa, eu sou outra. O partido tem uma relação muito boa, muito amistosa com Cláudio Castro, diferentemente de outros tempos, mas não podemos dizer que estamos na base — disse Silva Santos à colunista.

 

A intenção de Mourão de concorrer a um cargo no Rio de Janeiro tem se tornado mais clara desde o fim do ano passado. Como revelou o colunista do Globo Lauro Jardim, em novembro, Mourão conversou com o presidente do PRTB do Rio, Antonio Carlos Santos, na época, e concordou em sair como candidato no estado. O cargo, no entanto, ainda não foi definido, mas o governo ainda seria uma possibilidade.

Sobre as chances de compor novamente uma chapa para as eleições presidenciais, outro possível destino de Mourão, o atual vice-presidente da República disse que nunca conversou com Jair Bolsonaro (PL), e afirmou que “algumas vezes ele (Bolsonaro) já deu uma sinalização que ele gostaria de outra pessoa”. A declaração foi dada no último mês em entrevista ao programa “Em Foco com Andréia Sadi”, da GloboNews. No encontro, Mourão também disse que, caso concorra a um cargo no Rio, “a tendência é o Senado, mas em política a gente nunca pode falar nunca".

A entrada do vice-presidente da República na disputa fluminense seria um desafio à candidatura de Cláudio Castro, que planeja reunir a base bolsonarista em torno de seu nome. Segundo levantamento feito pela Quaest a pedido do GLOBO, em outubro do ano passado, o atual governador aparece em segundo lugar, com 16% das intenções de voto, atrás do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), que lidera com 25%. Porém, com a inclusão do nome de Mourão, Castro cai para a terceira posição, com 12% dos votos, enquanto o general passa a ocupar o segundo lugar com 17% e Freixo mantém a liderança com 23%.

 

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