Para presidente da OAB-PE, Moro "sabe o tamanho do problema"

Ronnie acredita que um superministério "dá condição diferenciada de fazer investigações atingirem outro patamar".

Ronnie Duarte vê risco para Bolsonaro, no caso de Moro deixar o governo: "Fica ruim politicamente"Ronnie Duarte vê risco para Bolsonaro, no caso de Moro deixar o governo: "Fica ruim politicamente" - Foto: Paullo Allmeida

"A pauta é corrupção. Só que você não combate corrupção se você deixar algum ambiente imune ao escrutínio". A avaliação do presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, faz referência à condição do Judiciário diante do ambiente contaminado por corrupção no País. À coluna, ele adverte: "Se é para o País ser passado a limpo, ele nunca vai ser se o judiciário ficar preservado". Faz as observações no bojo do convite feito presidente eleito, Jair Bolsonaro, ao juiz federal Sérgio Moro, para assumir o Ministério da Justiça. O responsável pela Lava Jato em Curitiba aceitou a missão ontem. Ronnie prossegue em sua avaliação: "Há aparência de blindagem em relação ao Judiciário e Moro vai estar em condição de enfrentar essa nova batalha". Faz uma leitura de que Moro é quem "mais conhece o sistema, tem um grau de informação e conhecimento absolutamente diferenciado de como funcionam os esquemas de corrupção no Brasil". E emenda: "Ele sabe o tamanho do problema". Ronnie acredita que um superministério dá condição diferenciada de fazer com que a Lava Jato e investigações anticorrupção atinjam outro patamar. "O País não ia ser passado a limpo até que as investigações chegassem à cúpula do judiciário. Não concebo que a alta cúpula do executivo esteja implicada, ex-presidente preso, presidente do Congresso envolvido, uma sujeira geral e por que, até agora, com o Judiciário, que sempre teve relação estreita no acesso com poderes constituídos, não aconteceu nada?", questiona Ronnie. E diz ver na escolha de Moro uma prova de boa vontade. "Ele (Bolsonaro) está tentando acertar. Ele sabe que Moro é um cara que ele não vai governar", considera o presidente da OAB-PE, que vê risco para Bolsonaro. "Se ele (Moro) deixar o governo, fica ruim para Bolsonaro politicamente". No entanto, se ele conseguir fazer o que se propõe, "vai ter prestado serviço maior ao País do que fez até agora", projeta Ronnie.

Jungmann: "Pena que desapareça"
À frente do Ministério da Segurança Pública no Governo Michel Temer, Raul Jungmann pode ir à mesa com o juiz Sérgio Moro na próxima semana. Já colocou-se à disposição para realizar transição. Por outro lado, à coluna, pondera: "O Ministério da Segurança Pública esta construído, tem rumo e é uma pena que desapareça".

Alô > Jungmann trocou telefonema com Moro ontem, dia em que o magistrado aceitou convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério da Justiça.

Super > Moro deve assumir pasta ampliada contendo órgãos de combate à corrupção vinculados, hoje, a outros ministérios, como a Polícia Federal e parte do Coaf.

Currículo > De antemão, à coluna, Jungmann avisa: "Vou ajudá-lo no que puder na transição. Na avaliação do pernambucano, "ele é um grande nome para a Justiça, tem currículo e capacidade".

Delegacia 1 > Depois que o deputado Daniel Coelho atacou, na tribuna, a extinção da Decasp, atribuindo o projeto à "maneira rasteira como o PSB tem agido", Fernando Monteiro reagiu.

Delegacia 2 > Em nota, assinalou o seguinte: "Ao atacar o Draco, o deputado Daniel Coelho está atacando a honra e o profissionalismo dos policiais civis de Pernambuco".

Delegacia 3 > Monteiro alfineta:"O deputado baseia sua fala em notícias falsas, as fake news. Não aceita o resultado das urnas. Aceitar a derrota faz parte do processo democrático. Dói, mas não machuca".

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