Para Temer, julgamento de petista dará 'tranquilidade' a investidores

O julgamento de Lula nesta quarta-feira (24) ocorre no mesmo dia do discurso de Temer durante o evento, mas, segundo o presidente, a coincidência "não vai causar mal-estar nenhum"

Presidente Michel TemerPresidente Michel Temer - Foto: Sérgio Lima / AFP

O presidente Michel Temer afirmou nesta terça (23) que, em vez de sinalizar instabilidade política, o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância significa que "as instituições brasileiras estão funcionando". "Dá tranquilidade para quem quiser investir no país", disse Temer a jornalistas em Zurique, antes de seguir para o Fórum Econômico Mundial de Davos.

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O julgamento de Lula nesta quarta-feira (24) ocorre no mesmo dia do discurso de Temer durante o evento, mas, segundo o presidente, a coincidência "não vai causar mal-estar nenhum". Temer reiterou as mensagens de otimismo que têm sido repetidas pelo governo e disse que seu objetivo no fórum será o de "mostrar o que é o novo Brasil". Sobre a meta de que o país cresça 3% neste ano, Temer afirmou que "é complicado dizer desde já". Mas "2,5% para frente não há dúvida. Alguns falam até em 3,5%, né?"

Temer tem uma série de reuniões previstas para a quarta, incluindo com o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, e com José Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Ele deve se encontrar com presidentes de empresas como Shell, Dow Chemical e ArcelorMittal.
Em Davos, Temer apresentará um programa de concessões e privatizações. Há a expectativa, confirmada pelo presidente nesta terça, de captar mais de R$ 130 bilhões. "A esperança é de que os investidores se interessem cada vez mais pelo Brasil."

O governo também aposta que o presidente possa avançar em uma série de discussões sobre acordos comerciais, incluindo o negociado há anos entre o Mercosul e a União Europeia. Está previsto que Temer retorne a Brasília durante a manhã de quinta. Sua comitiva inclui os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho, além do deputado Beto Mansur (PRB-SP) e da senadora Marta Suplicy (MDB-SP).

'Pague pelo que fez'
Em Davos, o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), também falou sobre o julgamento do ex-presidente Lula, dizendo esperar que ele "pague pelo que fez". Doria, porém, afirmou esperar que Lula não seja impedido de concorrer à Presidência e que seja "derrotado politicamente". "Assim acaba o mito. Acaba o Lula e começa o Luiz Inácio."

Lula será julgado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal), em Porto Alegre, seis meses após ter sido condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Na ação, o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

O TRF-4 já informou que, caso condenado, Lula só poderá ser preso após a tramitação de todos os recursos. Em caso de condenação em segunda instância, ele fica inelegível pela Lei da Ficha Limpa, mas pode se manter na disputa por meio de recursos.

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