Partidos de olho nos petistas

Governadores e parlamentares do PT recebem sondagens e podem deixar legenda visando sobrevivência política

Sede do Ministério Público Federal (MPF) em PernambucoSede do Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

 

Diante da derrocada do PT nas eleições municipais deste ano e da incerteza quanto à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, alguns partidos que militavam no mesmo campo dos petistas, como PDT e PSB, vêm sondado lideranças petistas para engrossar suas hostes, visando seus projetos presidenciais.

Atualmente, o partido comanda cinco governos estaduais: Wellington Dias (Piauí), Camilo Santana (Ceará), Rui Costa (Bahia), Fernando Pimentel (Minas Gerais) e Tião Viana (Acre). Viana e Santana não podem concorrer à reeleição.
Os governadores nordestinos têm sido os alvos preferenciais. A região era reduto petista, mas neste pleito municipal não conseguiu fazer nenhum prefeito nas capitais. O PSB, através do presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, e do governador Paulo Câmara (PSB), vem tentando atrair Santana, com a ideia de ceder-lhe a vaga do Senado no Ceará numa possível chapa de Cid Gomes (PDT) para o Governo do Ceará. Os socialistas já manifestaram a intenção de um novo projeto presidencial. Mesmo ainda sem nome definido, a sigla vêm ampliando suas bases.
A relação entre Santana e o PT de Fortaleza está tensionada há tempos, o governador foi contrário à candidatura de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza, preferindo o apoio ao prefeito reeleito Roberto Cláudio (PDT). Tanto Santana quanto Cláudio são próximos aos irmãos Cid e Ciro Gomes, o segundo tem pretensões presidenciais em 2018. Santana se reuniu com Wellington Dias e Rui Costa no mês passado, em Salvador. Na pauta, análise de conjuntura e a possível saída do PT.
A preocupação com a não reeleição é um dos impulsionadores para uma saída do partido. Costa também foi sondado por pedetistas para uma possível migração. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, negou qualquer conversa sobre a ida de Costa para o partido. “Conversamos apenas sobre aliança que já existe”, afirmou.
Apesar das dificuldades, petistas não acreditam na saída de Dias, pela proximidade dele com Lula e da participação orgânica, e de Costa, pela ligação com o ex-ministro Jaques Wagner (PT). “Entre os três (governadores no Nordeste), Camilo é o único que deve sair, pois possui uma relação de mais independência do partido”, afirmou uma fonte, em reserva. Todavia, a relação de Santana com o PSB é longínqua, visto que o governador já foi filiado a legenda e disputou a Prefeitura de Barbalho, em 2000.
O encolhimento da bancada do PT no Congresso Nacional - 58 parlamentares - e o resultado das eleições municipais nas urnas, ambas com base no sentimento antipetista, pressionaram parlamentares. Uma possível debandada de deputados volta a ser cogitada nos bastidores. Especula-se que o PDT esteja articulando para receber um grupo deles.

Lupi também nega, como é de praxe. Em suma, o desgaste da imagem do partido e as indefinições quanto ao projeto presidencial de Lula e a redução da expectativa de poder podem levar lideranças petistas a buscar a sobrevivência em outras legendas.

 

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