Partidos fecham bloco e isolam o PT

Adversário de Bolsonaro no segundo turno, Partido dos Trabaçhadores não aderiu ao bloco de oposição

Líder do PSB na Câmara Federal, Tadeu Alencar.Líder do PSB na Câmara Federal, Tadeu Alencar. - Foto: Divulgação

As lideranças do PSB, PDT e do PCdoB na Câmara dos Deputados anunciaram, nesta quinta (20), por meio de nota conjunta, que formarão bloco de oposição ao governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) na próxima legislatura. Sem o Partido dos Trabalhadores, o grupo somará 70 parlamentares e se tornará a principal força opositora na Casa, em detrimento da sigla petista, que elegeu 56 legisladores federais.

A criação do bloco vinha sendo discutida por esses partidos desde o resultado da eleição deste ano, que elegeu Bolsonaro presidente da República. O PT, adversário de Bolsonaro no segundo turno, não aderiu ao bloco de oposição.

Na nota divulgada à imprensa, os partidos reafirmam a postura de oposição ao futuro Governo e a defesa da "democracia, direitos sociais, dos valores éticos e republicanos". Afirmam, ainda, que o bloco será formado por "partidos que têm identidade histórica e mais aqueles que eventualmente ao bloco queiram se reunir", deixando espaço para futuros aliados.

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O deputado federal eleito Túlio Gadêlha (PDT) avalia que os dois extremos, segundo ele, o PT e PSL tendem a ser isolados no Congresso Nacional. "O PT vinha fazendo uma oposição do nós contra eles que tem prejudicado o Brasil. O nosso entendimento não é esse", afirmou. Líder da bancada do PSB, o deputado federal Tadeu Alencar afirma que a formação do grupo não visa isolar nenhuma agremiação, mas que as legendas não "querem se subordinar a nenhum partido da oposição". Segundo o socialista, há conversas com lideranças de outros partidos para aumentar o bloco. Já houve tratativas com o PPS e outras siglas, mas a aliança não avançou.

Os blocos são importantes instrumentos para influenciar votações e na composição de comissões da Casas. Eles também têm peso fundamental na eleição do presidente da Câmara. O objetivo do grupo é fazer costuras com outras siglas para garantir, pelo menos, um espaço na Mesa Diretora.

Outro tema que será discutido até fevereiro é a ocupação de espaços nas comissões. O PSB, atualmente, preside as comissões de Educação, com o deputado Danilo Cabral (PSB-PE), além de Turismo e de Defesa do Consumidor. Os socialistas tem a maior bancada do grupo, com 32 parlamentares eleitos, o que garante uma legitimidade maior para ocupar os espaços. Uma das prioridades da sigla é dar um papel de destaque para o deputado federal eleito João Campos (PSB). Por ser legislador de primeiro mandato, contudo, não irá para uma vitrine tão grande. A expectativa é que ele ocupe a vice-liderança ou a vice-presidência de alguma comissão. O PDT é a segunda maior bancada com 28 legisladores e o PCdoB é a última, com 10.

As conversas para a ocupação dos espaços será tocada pelos líderes das bancadas de cada partido. Já os apoios para a presidência da Câmara serão construídos por cada partido. Por enquanto, ainda não há uma posição de afinidade entre as agremiações. O consenso é que o nome deve ter independência e não queira “tratorar a oposição”.

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