Petistas reagem a formação de bloco de PC do B e PDT com centro na Câmara

O efeito prático dessa articulação é que o PT pode perder o direito a indicar o líder da minoria, um posto de representação da oposição que detém uma estrutura com cargos, além de tempo de fala no Plenário

Plenário da Câmara FederalPlenário da Câmara Federal - Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O PC do B e o PDT na Câmara reagiram à articulação petista e formaram um bloco de oposição com partidos de centro que pode isolar o PT na Casa. Pedetistas e comunistas se aliaram ao Podemos, Solidariedade, Patriotas, PPS, PROS, Avante, PV e Democracia Cristã, num bloco que hoje conta com 105 deputados.

Com isso, eles superaram os 97 deputados que compõem o bloco liderado pelo PT, que também inclui PSB, PSOL e Rede. O efeito prático dessa articulação é que o PT pode perder o direito a indicar o líder da minoria, um posto de representação da oposição que detém uma estrutura com cargos, além de tempo de fala no Plenário.

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Petistas reagiram afirmando que caso o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), entregue a liderança da oposição ao grupo liderado pelo PDT, estará passando por cima do regimento interno da Casa. Maia, porém, afirmou à reportagem que deve manter o posto com o bloco liderado por PT e PSB.

Lideranças da oposição disseram que isso representa uma fissura "irreversível" com o PC do B, que até esta quinta-feira (31) cogitava a possibilidade de se unir ao bloco da esquerda. Embora seja encabeçado por partidos que se opõem a Bolsonaro, o grupo do PCdoB e do PDT apoia a eleição de Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara.

Tanto o PC do B quanto o PDT vêm atuando desde o fim das eleições presidenciais para construir uma força de oposição que exclua o PT. O PDT, por exemplo, se ressente da pressão que o PT fez sobre o PSB para que os socialistas ficassem neutros no pleito presidencial. Isso desidratou a candidatura do presidenciável pedetista, Ciro Gomes.

Além da tentativa de prejudicar o bloco simbólico da oposição, a mudança também retirará a posição na Mesa de MDB ou PSDB, que estão no bloco formal de Maia. Com mais deputados, o bloco liderado por PDT terá direito a uma secretaria, que deve ficar com o partido, e uma suplência, que será retirada do bloco do atual presidente.

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