PF defende fim das delações premiadas

Juiz Sergio Moro, que julga os processos da Lava Jato, também compartilha da mesma preocupação em relação a novas delações

A banda é formada por Lirinha, Clayton Barros e Emerson Calado, e os percussionistas recifenses, Nego Henrique e Rafael AlmeidaA banda é formada por Lirinha, Clayton Barros e Emerson Calado, e os percussionistas recifenses, Nego Henrique e Rafael Almeida - Foto: Tiago Calazans

O instrumento da delação premiada, usado nas investigações da Operação Lava Jato, que investiga um vasto esquema de corrupção instalado na Petrobras, pode estar com os dias contados. A Polícia Federal tem defendido que não se faça mais nenhum acordo de delação. Em conversas reservadas, pessoas ligadas à empreiteira Odebrecht afirmam que esta posição teria relação com algum movimento do Governo de Michel Temer, já que integrantes da cúpula do PMDB, incluindo o presidente, são mencionados no acordo com a empreiteira. A PF, porém, nega qualquer diálogo ou influência do governo.


Na avaliação de integrantes da PF no Paraná, já foi recolhido material suficiente ao longo dos dois anos e sete meses em que a operação está em curso para que apurações próprias sobre o esquema de desvios na Petrobras sejam feitas, sem precisar de ajuda de delatores. Para a polícia, um exemplo é a operação de semana passada que prendeu o ex-ministro petista Antonio Palocci. Ele é investigado pela sua relação com a Odebrecht, que está na reta final na negociação de acordos de delação e leniência.

Desde que a primeira fase da Lava Jato foi deflagrada, em março de 2014, foram celebrados 66 acordos de delação. Se a Odebrecht tiver êxito na negociação, esse número pode superar a casa da centena, já que a empreiteira negocia a delação de mais de 50 funcionários do grupo.

O juiz Sergio Moro, que julga os processos da Lava Jato, também compartilha da mesma preocupação em relação a novas delações. Na terça-feira (4), ele declarou que a colaboração premiada não é o seu único método de investigação. Na sua opinião, a delação “tem que ser feita com regras, cuidado, cautela. Nunca confie num criminoso”.

O juiz avalia que é preciso definir se vale a pena ou não fazer acordo com o delator.

“Porque isso também tem um custo, já que o colaborador vai receber sanção criminal proporcional”, disse.

 

Veja também

Bolsonaro visita laboratório do 1º submarino nuclear brasileiro
Política

Bolsonaro visita laboratório do 1º submarino nuclear brasileiro

'A vacina é que vai nos salvar, não é a ideologia, política ou processo eleitoral', diz Doria
COVID-19

'A vacina é que vai nos salvar, não é a ideologia, política ou processo eleitoral', diz Doria