PF muda chefia de investigações sobre políticos no STF e delegado entrega cargo

A saída de Azevedo foi divulgada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada nesta quinta-feira (22) pela direção da PF em Brasília

Polícia FederalPolícia Federal - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A Polícia Federal fez mudanças no grupo de investigação sobre crimes que envolvem políticos com foro especial no STF (Supremo Tribunal Federal), o que desagradou o delegado Josélio Azevedo, que funcionava como coordenador informal do grupo. Ele entregou o cargo de chefia da Coordenação Geral de Combate à Corrupção, criada no final do ano passado, à qual o grupo estava vinculado.

Segundo a PF, a medida foi tomada para oficializar o grupo na estrutura da PF, passando-o à condição de Serviço, e também por aspectos doutrinários, com o objetivo de reforçar as suas atividades. Sendo um grupo especial, no entender da PF ele deveria estar subordinado a uma diretoria, e não a uma coordenação dentro de uma diretoria. O grupo passa agora a ser vinculado diretamente à Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado).

A saída de Azevedo foi divulgada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada nesta quinta-feira (22) pela direção da PF em Brasília.

De acordo com a PF, não haverá alteração na presidência dos inquéritos que hoje tramitam no STF, como o caso dos portos, no qual é investigado o presidente Michel Temer. O inquérito continuará sendo tocado pelo delegado Cleyber Lopes. Os 12 delegados que integravam o grupo foram convidados a permanecer na unidade.

Com apoio do novo diretor-geral da PF, Rogério Galloro, a Dicor alterou o status do grupo, o Ginq, que deixa de ser informal e passa a ser um serviço, o Sinq, e colocou em sua chefia a delegada Denisse Ribeiro, que atuou na Superintendência da PF no Distrito Federal em operações de repercussão, como a Acrônimo, que mirou o governador Fernando Pimentel (PT-MG).

Outra mudança foi incorporar ao Sinq os inquéritos que tramitam sobre autoridades com foro especial no STJ (Superior Tribunal de Justiça), como governadores.

Até então, o Ginq estava subordinado informalmente à coordenadoria chefiada por Josélio Azevedo, embora as duas unidades estivessem também vinculadas à Dicor. Azevedo foi convidado a permanecer na sua atual função, na Coordenação, mas ele não aceitou. Na prática, sua influência sobre o grupo de delegados que atua nos casos que tramitam no STF ficaria esvaziada com a nomeação da delegada Denisse.

Para o lugar de Azevedo foi convidado o delegado Márcio Adriano Anselmo, um dos principais delegados na origem da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), e atual chefe de divisão de crimes financeiros na PF de Brasília.

Sob o comando de Azevedo, o ex-Ginq colaborou para a queda do diretor-geral Fernando Segovia ao emitir um ofício ao então diretor da Dicor, Eugênio Ricas, no qual afirmou que poderia tomar medidas jurídicas contra a direção da PF caso houvesse interferência nos inquéritos, após declarações desastradas de Segovia à agência de notícias Reuters. A manifestação do Ginq demonstrou ao governo central a perda de apoio interno de Segovia e foi mais um empurrão para a sua substituição, determinada dias depois pelo ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann.

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