PGR avalia ação contra Geddel

STF enviou à Procuradoria teor do depoimento de Calero. Tendência é que inquérito seja aberto contra ministro

Prédio do Ministério Público de Pernambuco (MPPE)Prédio do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) - Foto: Reprodução/MPPE

 

A Procuradoria-Geral da República recebeu na tarde de quinta-feira (24) o teor do depoimento prestado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal sobre o episódio envolvendo o ministro Geddel Vieira Lima. A documentação foi enviada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os procuradores vão avaliar as declarações prestadas por Calero e decidir se pedirão ao Supremo a abertura de inquérito contra Geddel.
O depoimento do ex-ministro será avaliado juntamente com a representação que parlamentares da oposição fizeram à PGR em relação ao caso. A tendência dentro da procuradoria é de pedir a abertura de inquérito.
Na semana passada, o ex-ministro acusou Geddel de ter usado o cargo para pressioná-lo a revogar parecer do Iphan que impede a construção de um empreendimento imobiliário em Salvador em área tombada. Geddel tem um apartamento no prédio. Ele admite ter conversado sobre o tema com Calero, mas nega pressão. Um sobrinho e um primo do ministro representam os interesses do projeto imobiliário em processo que tramita no Iphan. Calero foi voluntariamente à PF.

Odebrecht
Além do caso Iphan, o ministro Geddel ainda aparece em reportagem publicada pelo Buzzfeed sobre a delação da Obebrecht. O site afirma que ele ganhou um relógio suíço Patek Philippe, modelo Calatrava, da empreiteira. O presente, diz a reportagem de Severino Motta, foi dado em seu 50ª aniversário, em 2009, e vale R$ 85 mil.

As informações, segundo o site, fazem parte dos anexos do acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht e um dos delatores no acordo da empreiteira com o MPF. O ministro teria recebido “recursos regularmente” da empreiteira.
À época, diz o site, Geddel ocupava o Ministério da Integração do governo Lula, na cota do PMDB, e foi responsável pela liberação de R$ 35,2 milhões para a Construtora Norberto Odebrecht. Os pagamentos estão relacionados às obras do projeto de irrigação Tabuleiros Litorâneos de Parnaíba, executado pelo DNOCS.

Segundo o Buzzfeed, tais pagamentos teriam sido feitos em períodos eleitorais, na forma de doações de campanhas, e em períodos não eleitorais. Geddel, segundo Filho, ainda faria jus ao apelido de “boca de jacaré”. Segundo ele, apesar da Odebrecht sempre ter dado um volume considerável de recursos ao político, ele sempre achava pouco e pedia mais”, diz a reportagem.

 

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