BRASIL

PL avalia nomes para substituir Valdemar e Bolsonaro na articulação enquanto proibição for mantida

Moraes vetou presidente da sigla e demais investigados de se comunicarem entre si

Jair Bolsonaro abraça o presidente do PL, Valdemar Costa Neto Jair Bolsonaro abraça o presidente do PL, Valdemar Costa Neto  - Foto: Reprodução/Youtube

O PL acredita ter entre seus quadros nomes aptos a participar mais ativamente das articulações e organização das campanhas eleitorais deste ano, caso perdure o silêncio imposto à cúpula do partido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Na lista estão o líder da bancada na Câmara dos Deputados e presidente do partido no Rio, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O ministro determinou que os investigados na apuração da Polícia Federal sobre uma investida golpista não mantenham contato entre si. A proibição atinge as três principais pessoas do PL responsáveis por definir a estratégia eleitoral da legenda e arbitrar disputas internas para definir candidaturas nos municípios: o comandante da sigla Valdemar Costa Neto, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto. Integrantes do PL reclamam que Moraes deixou o partido "acéfalo" às vésperas do início das campanhas.

Essa determinação foi vista internamente como prejudicial ao partido, assim como a prisão de Valdemar. O dirigente partidário foi detido na quinta-feira, mas deixou o cárcere no sábado, após uma decisão do ministro.

Para os correlegionários, o diálogo entre os investigados pela Polícia Federal é crucial para que o PL possa avançar nos seus planos de fazer o partido crescer em número de prefeituras. Desde o meio do ano passado, Bolsonaro, Valdemar e Braga Netto fazem reuniões semanais com outros eventuais participantes, como presidentes de diretórios estaduais da sigla, advogados e demais correligionários para definir as estratégias.

O grupo trabalhava para lançar 3 mil candidatos às prefeituras do país. A intenção neste ano é ultrapassar a barreira de mil cidades governadas pelo PL (cerca de três vezes mais do que o partido tem hoje) e conseguir pelo menos 150 vitórias só no estado de São Paulo.
 

A oito meses das eleições municipais, é neste período do ano que partidos negociam alianças, desenham chapas com candidatos a vereador e resolvem nós sobre as alianças políticas locais. Essas decisões, no PL, passam pelo crivo do grupo que atualmente não pode conversar entre si.

A soltura de Valdemar, no entanto, gerou uma expectativa de que a próxima decisão do STF possa ser o fim dessa proibição.

—O recuo dele com relação à prisão do Valdemar é um bom sinal. Imaginamos que outros bons sinais venham acompanhados disso nos próximos dias para permitir o mínimo, que o partido possa agir como partido. A comunicação entre essas três pessoas é algo imprescindível para o partido— afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

O PL terá neste ano a maior quantia de dinheiro público para turbinar candidaturas, com cerca de R$ 880 milhões, valor 500% maior do que os R$ 146,5 milhões de quatro anos atrás, quando elegeu 345 prefeitos, nenhum deles nas capitais.

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