Planalto “preparado” para segunda denúncia contra Temer

Possibilidade de Janot apresentar nova denúncia contra o presidente faz governo reduzir comitiva na viagem à China

Padilha: possibilidade de nova ação são “as maiores do mundo”Padilha: possibilidade de nova ação são “as maiores do mundo” - Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

Ministro da Casa Civil e um dos principais auxiliares de Michel Temer, Eliseu Padilha disse que as possibilidades de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar uma nova denúncia contra o presidente nos próximos dias são "as maiores do mundo". Segundo o ministro, porém, é preciso que a peça seja "fundamentada" e que a "missão" do Ministério Público Federal seja cumprida "nos estritos limites da lei".

"As possibilidades serão as maiores do mundo em todos os aspectos, a nossa possibilidade de aprovação das nossas regras (nas votações do Congresso), também a possibilidade de surgir uma nova denúncia, por óbvio que é possível. Naturalmente que ela tem que ser fundamentada", afirmou Padilha, ao ser questionado sobre os possíveis prazos dos procuradores.

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A expectativa em Brasília é a de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente nova denúncia contra Temer antes de deixar o cargo, em 17 de setembro, quando será substituído por Raquel Dodge, nomeada pelo presidente.

Perguntado se uma segunda denúncia preocupava o governo, mergulhado desde maio numa crise política provocada pela delação da JBS, que implica diretamente o presidente, Padilha respondeu: "Se vier uma nova denúncia, por certo, estaremos preparados para, politicamente e juridicamente, enfrentá-la, no campo jurídico";

Segunda
A possibilidade de Janot apresentar uma segunda denúncia baseada no inquérito aberto pelo STF para investigar Temer por corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa -além de sessões com importantes votações no Congresso- fez com que o presidente esvaziasse sua comitiva para a reunião dos Brics, na China, e deixasse seu principal time em Brasília.

Os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, não viajarão com Temer, para acompanhar a votação da revisão da meta fiscal pelos parlamentares -o governo aumentou o deficit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões.

O próprio Padilha, que inicialmente estava na comitiva à Ásia, vai ficar em Brasília, assim como Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), para monitorarem o Legislativo e também fazerem a defesa do presidente caso a PGR haja até a primeira semana de setembro. Temer retorna da China apenas em 6 de setembro. Na primeira denúncia bloqueada pela Câmara no início de agosto, a PGR acusava Temer de corrupção passiva. Agora, Janot deve usar a delação premiada do operador Lúcio Funaro, ligado a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para embasar a segunda peça.

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