PMDB reivindica o Ministério das Cidades

Os peemedebistas, que reclamam da falta de espaço no governo, passaram a cobiçar a pasta comandada por Bruno?Araújo

O tucano passou a ser alvo de desconfiança quando ameaçou deixar o governo, em maioO tucano passou a ser alvo de desconfiança quando ameaçou deixar o governo, em maio - Foto: José Cruz/abr

Com um orçamento de R$ 20 bilhões para 2017, o Ministério das Cidades, do deputado pernambucano licenciado Bruno Araújo (PSDB), está sendo pleiteado pelo PMDB, sob alegação do partido do presidente Michel Temer estar sub-representado nas pastas.

Atualmente, os peemedebistas dispõem de seis dos 28 ministérios, mas há queixas sobre o merecimento dos tucanos, que já falam em desembarque da base. Também se questiona se o PSDB será capaz de dar a votação esperada pelo Planalto para barrar a denúncia contra Temer na Câmara, no dia 2 de agosto, o que coloca o cargo do tucano em xeque.

Evitando falar sobre o assunto, Bruno Araújo se resume a dizer que está trabalhando para fazer as entregas da pasta. No dia 2, ele e os demais ministros pernambucanos (Fernando Filho, Raul Jungmann e Mendonça Filho) irão voltar à Câmara para defender o presidente contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República. Nos bastidores, aliados do presidente especulam que se Bruno deixar o cargo, há o risco de não ser reempossado. O uso político e eleitoral da pasta seria uma justificativa para a disputa, já que o Ministério das Cidades é responsável por uma série de obras pelo País.

A desconfiança em relação ao ministro começou em maio, quando estourou o escândalo entre Temer e Joesley Batista, da JBS. Na época, o tucano foi o primeiro a defender a entrega dos cargos, seguido do senador paulista Aloysio Nunes nas Relações Exteriores. Com esse episódio, segundo deputados do PSDB e até mesmo da base governista, Bruno começou a perder crédito com o Planalto.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também defendeu o desembarque após a aprovação das reformas. Com a sanção da reforma Trabalhista, não há sinais de que Temer consiga aprovar a da Previdência. Agora, o líder do PMDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP), já teria levado a Temer o pleito para o fortalecimento do partido, caso haja mudanças ministeriais em agosto.

Cotado para o cargo, caso Bruno seja realmente rifado, Carlos Marun (PMDB-MS), forte aliado do presidente Temer, nega que esteja havendo esse tipo de pleito no Parlamento. “O nosso pensamento é de trabalhar pela governabilidade. Ao superarmos o episódio da denúncia, vamos avançar em outras questões, como a reforma da Previdência”, minimiza. Entretanto, o parlamentar foi o primeiro da lista do PMDB para assumir a pasta das Cidades, quando da instalação do governo. Mas os acordos confluíram para contemplar os tucanos.

Dentro do PSDB, há uma expectativa de que o partido vote majoritariamente pela admissibilidade da denúncia da PGR. A entrada de Bruno no Parlamento seria uma sinalização de que o partido faria a defesa de Temer, mas se houver essa provável frustação, a situação do tucano estará prejudicada. “Como Bruno foi o primeiro a se manifestar pela saída do governo em maio, isso pegou muito mal para ele. Também não se vê ele fazer defesa explícita de Temer em nenhum lugar. Tudo isso conta”, avalia um membro do PSDB, que preferiu não se identificar.

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