[Podcast] Humberto Costa: "Espero que governadores tenham coragem de denunciar senadores que querem

Senador diz que posição do líder do governo no Senado e do próprio Executivo, contrárias à proposta de socorro aos Estados e municípios, aprovada na Câmara Federal, estão "totalmente equivocadas"

Humberto Costa, em entrevista à Rádio Folha.Humberto Costa, em entrevista à Rádio Folha. - Foto: Alfeu Tavares / FolhaPE

Para o senador Humberto Costa (PT), as posições do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), e do próprio governo, contrárias à proposta aprovada na Câmara Federal de socorro aos Estados e Municípios, são "totalmente equivocadas". Ex-ministro da Saúde, Humberto realça que "quem tem obrigação de manter a assistência social são as prefeituras e os governos dos estados". E acrescenta: "Esses entes da federação estavam fechando folha de pagamento, agora, raspando o tacho do que já não tem".

O petista argumenta que o Governo Federal "tem obrigação de socorrer" porque "quem pode emitir moeda é o Tesouro Nacional". Grifa ainda que o credor "das dívidas dos estados e municípios é o Governo Federal" e define como "irresponsável" a atitude de "não garantir que perdas venham a ser minimizadas".

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, na quinta-feira (16), Fernando Bezerra Coelho registrou que existem "severas críticas" ao formato que tem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como principal fiador. O líder do governo avisou que o critério do "seguro-receita" não prospera. Na análise dele, não dá para União garantir receita "como se crise não houvesse".

Na avaliação de Fernando, o PL 149/2019 "não é justo do ponto de vista federativo" a partir do momento em que se baseia na proporcionalidade da arrecadação do ICMS e ISS. "Pela proposta da Câmara, 50% da compensação de ISS iria só para o município de São Paulo. Ninguém vai aprovar isso", cravou FBC.

Humberto adverte que "essa divisão, simplesmente pelo número de habitantes, deixa de levar em consideração o tamanho da perda de arrecadação que cada Estado teve, o tamanho da perda da atividade econômica que cada estado e município tiveram e, inclusive, o grau de desenvolvimento econômico e social que cada um teve". E conclui: "Isso sim vai beneficiar estados maiores e mais ricos".

O senador petista diz esperar que o "Senado seja capaz de votar pensando que somos representantes da Federação, para todos os estados". Daí, Humberto Costa emenda: "Espero, inclusive, que os governadores tenham coragem política de denunciar, nos seus estados, quem são os senadores que querem quebrar os estados, que querem quebrar os munícipios, que estão em jogo político".

Ele argumenta: "Isso de o governo não querer aprovar é, principalmente, por conta da paranóia política do presidente da República, que vê, nos governadores adversários, possíveis competidores na eleição de 2022, e que só pensa na política e na possibilidade de continuar presidente da República". Humberto prossegue: "Eu espero que ele não consiga, sequer, concluir esse mandato, porque não tem envergadura, não tem postura, não tem conhecimento da realidade do Brasil e não tem amor pelo povo brasileiro".

Ainda sobre esse assunto, ontem (16), o presidente Jair Bolsonaro criticou o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM- RJ). Em entrevista à CNN, o presidente afirmou: "O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o Governo Federal, enfiando a faca no governo federal. Parece que a intenção é me tirar do governo. Paulo Guedes não tem mais contato com Maia"

Em resposta às declarações do chefe do Poder Executivo, Maia afirmou que não iria responder ao presidente com a mesma intensidade que foi atacado e que “ ele (Bolsonaro) pode jogar pedras, o Parlamento vai jogar flores”.

Mandetta

Humberto Costa considera a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), da pasta como “um ato totalmente irresponsável do presidente da República”. Costa declarou ainda: “todos nós sabemos que o ministro Mandetta pode ter cometido, e cometeu, erros. Mas ele foi demitido exatamente porque vinha seguindo corretamente as orientações que as principais autoridades de saúde no mundo e no Brasil, especialistas vinham aplicando”.


Humberto falou desse e de outros assuntos. A entrevista na integra está no podcast abaixo:

 

 

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