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[Podcast] Para Coutinho, Cintra é 'pitbull' de Guedes e procedimentos do governo deixam 'sequelas'

Coordenador da bancada de Pernambuco, ele, ainda que a favor da Reforma da Previdência, diz "não ter motivo para defender o governo atual" e aponta "desatenção"

Augusto Coutinho (SD-PE) é autor da emenda parlamentar no valor de R$ 1,8 bilhão que viabilizou a parceria Augusto Coutinho (SD-PE) é autor da emenda parlamentar no valor de R$ 1,8 bilhão que viabilizou a parceria  - Foto: Divulgação

Coordenador da bancada pernambucana, o deputado federal Augusto Coutinho (SD) vai estar com o presidente Jair Bolsonaro na próxima terça-feira, dia em que o Solidariedade será ouvido no roteiro de acenos que o chefe do Planalto faz aos partidos.

Para Coutinho, a visita é uma "situação inusitada", embora já tenha estado com o presidente em outras situações. Motivo: "As insinuações que são feitas, não só por ele, mas pelo governo são muito ruins e magoam".

Em função disso, o deputado diz não saber como essa reconstrução da base será possível. "Não sei se será possível diante do que a gente vê, a cada dia, o governo produzindo contra ele mesmo", explica Augusto.

Cita como exemplo o que o o economista Marcos Cintra, secretário da Receita Federal, registrou no Twitter na última quinta-feira. "Hoje, está o secretário do ministro Paulo Guedes, mais uma vez, denegrindo os políticos e o pessoal que, por um acaso, tem boa vontade de defender a causa da previdência, no twitter. O secretário Marcos Cintra, que eu apelidei, hoje, de pitbull do ministro da Economia (Paulo Guedes)", queixa-se o parlamentar num sinal de que o Congresso tem se sentido emparedado pelo Executivo.

Na referida rede social, Marcos Cintra registrou o seguinte: "Paulo Guedes peitou a oposição. Mostrou que não precisa ter apoio de ninguém para aprovar seus projetos no Legislativo. Com respaldo da sociedade o Brasil vai mudar".

Cintra fez referência ao enfrentamento que se deu entre Guedes e deputados da oposição na Comissão de Constituição e Justiça. O petista Zeca Dirceu chegou a chamar Guedes de "tchuchuca" e "tigrão". O ministro reagiu: "tchuchuca é a mãe, é a avó".

Coutinho prossegue: "São esses procedimentos (de ataques ao Congresso) que a gente vai assistindo todo dia e não deixam de ficar sequelas. É aquilo que sempre digo. Muitas vezes, quando você está numa briga, o cara que deu não se lembra, mas quem recebeu nunca esquece que levou".

Coutinho, ainda que a favor da Reforma da Previdência, diz "não ter motivo para defender o governo atual". Aponta "desatenção". E define posicionamentos como "coisa muito ruim para o País". Mas adverte: "Acho que a questão da previdência é coisa de País".

O deputado do Solidariedade lembra que o próprio presidente atacou recentemente, indiretamente, o Congresso Nacional. "Primeiro, o presidente dizer: 'Se eu for ceder, vou terminar jogando dominó com presidente Lula na prisão, é como se o Congresso ao sentar com o presidente estivesse propondo imoralidade. Isso é mentira. Isso não existe".

"O que se entende em qualquer lugar do mundo é que você precisa negociar, qualquer governo precisa ter base de apoio. Quem é base tem que se sentir como base, é ser atendido. Não quero nada para mim nãoo, mas para meu Estado, não abro mão de pedir, na região do meu Estado, que é pobre, lascado, que o povo morre de sede. Não abro mão de pedir, bater na porta de ministro. Isso é legítimo. Fui eleito para fazer isso", arremata Coutinho.

Augusto falou em entrevista à Rádio Folha FM 96,7 na última quinta-feira (04). A íntegra da entrevista segue abaixo:

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