Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

A narrativa do livro do Gênesis, nos diz que por causa da desobediência do homem, o Espírito Absoluto o puniu. Entre as punições aplicadas encontra-se à morte. Daí em diante, ela se tornou algo inseparável da história humana, fazendo com que exista como fator endógeno o desejo de ser eterno.

Não se tem como negar que falar a respeito da morte, principalmente em países ocidentais chega ser algo estarrecedor e não é exagero acrescentar a lista de Michel Foucault entre as palavras proibidas. Martin Heidegger defendia que a morte deve ser entendida como possibilidade existencial. Para ele, a morte tem que ser encarada como algo possível ao ser humano. Vale salientar, que Heidegger considerava o ser humano como um ser-aí (dasein). Um ser que não tem conhecimento de onde veio e nem para onde vai. O filósofo alemão, advogava que a relação do homem com a morte só é possível através da antecipação emocional, denominada de angústia.

Em tempos de pandemia como a que estamos vivendo, a morte ganha força entre nós e passamos a lembrar que somos mortais. Portanto, não temos o controle da vida. Porém, isso não deve ser motivo para nos com-portarmos de maneira irresponsável, pondo em risco nossa vida, nossa sa-úde e a das pessoas que estão ao nosso redor. Dizia Epicuro que: “contra todas as outras coisas é possível obter a segurança; mas, por causa da morte, todos nós, os homens, habitamos uma cidade sem muralhas”.

O fato é que o filósofo não viveu suficiente para assistir as cidades com “muralhas” tentando evitar à morte. Até os jovens que geralmente acreditam que a morte nãos tem como alcançá-los , estão se comportando com mais res-ponsabilidade do que alguns que chegaram na chamada terceira idade. Chega ser estarrecedor as atitudes de alguns que tentam banalizar o quadro nefasto em que o mundo vive por conta da atual pandemia.

Hely Ferreira é cientista político.

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