Martinho Lutero
Martinho LuteroFoto: Reprodução da internet

Hely Ferreira * 

Muitos afirmam que o motivo da Reforma Protestante foi por causa da venda de indulgências. Na verdade, o real motivo foi o problema da chamada doutrina da justificação.

O Papa Leão X decidiu que a maneira principal para angariar fundos a reconstrução da Catedral de São Pedro era por meio das indulgências (venda do perdão dos pecados). Entre os vendedores, destacou-se Johann Tetzel, praticando verdadeira extorsão. Muitas são as histórias a seu respeito.

Foi nesse contexto, que surgiu o reformador Martinho Lutero. No dia 31 de outubro de 1517, Lutero fixou, nas portas da Catedral de Wittenberg, as famosas 95 teses. Desencadeando o movimento da reforma religiosa na Alemanha.

Monge agostiniano e professor de teologia, Lutero lendo a Carta aos Romanos aprendeu que “o justo viverá pela fé”. Sendo assim, os ensinos de Tetzel era um afronto às Escrituras. Ao publicar as 95 teses, seu intuito era apenas que a igreja voltasse as práticas da era apostólica.

Entretanto, muitos dos visitantes (era véspera do dia de Todos os Santos), tiveram acesso as 95 teses, fazendo com que as mesmas fossem levadas a outros locais, e assim, em pouco tempo as ideias da Reforma se espalharam pela Europa. Daí em diante, a separação foi inevitável, embora Lutero nunca a desejou.

Com a divisão, as mudanças foram acontecendo, dentre elas destacamos as seguintes: foi introduzido os corais no culto, pois nas missas era cantando os cânticos gregorianos; o culto passou a ser celebrado no idioma pátrio, diferente da missa que era em latim. Lutero também traduziu a Bíblia para o alemão, proporcionando ao povo o livre acesso, pois as edições em latim eram apenas para o clero.

O Movimento que se espalhou pelo velho continente, não se limitou apenas a questões religiosas. Não é debalde a afirmação de Hegel de que foi na reforma Protestante que o homem moderno se sentiu livre, pois quem tivesse ousadia em discordar da Igreja, seu destino era o tribunal da inquisição.

Hely Ferreira é cientista político e escreve no Blog da Folha às quintas-feiras.

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