Sérgio Moro disse que foto com Aécio foi "infeliz", mas não há nenhum caso envolvendo ele nas suas investigações
Sérgio Moro disse que foto com Aécio foi "infeliz", mas não há nenhum caso envolvendo ele nas suas investigaçõesFoto: Reprodução/Internet

Responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, o juiz federal Sergio Moro afirmou, nessa sexta-feira (9), durante palestra em Heidelberg, na Alemanha, que as investigações sobre desvios de recursos da Petrobras são imparciais e não sofrem influência de interesses políticos. As informações são de matéria publicada na Folha de S. Paulo. O texto afirma, ainda, que Moro considerou a foto rindo ao lado do senador Aécio Neves (PSDB) como "infeliz".

No evento, Moro foi questionado pela DW Brasil sobre a criticada foto em que aparece rindo ao lado do tucano durante a premiação "Brasileiros do Ano de 2016", da revista Istoé, e afirmou que o parlamentar não está sob sua jurisdição.

"Foi um evento público, e o senador não está sob investigação da Justiça Federal de Curitiba. Foi uma foto infeliz, mas não há nenhum caso envolvendo ele", disse o juiz.

Aécio Neves é citado nas recentes delações de executivos da Odebrecht e de funcionários da Andrade Gutierrez, teria recebido propina de Furnas. O magistrado ainda destacou que as investigações estão focadas na Petrobras e que, por isso, é natural que políticos da oposição não apareçam. "Se o crime é provado, haverá consequências. O PTB, o Solidariedade, PP e PT aparecem nas investigações, então não posso ver onde está a parcialidade na condução das investigações", afirmou.

Na ocasião, Moro evitou comentar a notícia de que a Odebrecht teria pago caixa 2 ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e disse discordar "totalmente" das críticas de que o processo legal não tem sido cumprido na Lava Jato. "A operação não é uma bruxa caçadora", justificou ao dizer que não "joga com a política". Segundo ele, "nenhuma prisão aconteceu com base em opiniões políticas, mas em evidências de que crimes foram cometidos".

Ele ainda argumentou que a Lava Jato da oportunidade ao País de superar a "prática vergonhosa" de pagamento de propinas.

Protesto
Um grupo de aproximadamente 30 juristas e acadêmicos enviou uma carta à Universidade de Heidelberg argumentando que Moro não tem credibilidade para discursar sobre combate à corrupção no Brasil, por ser "parcial" em favor de partidos como PSDB e PMDB.

Já na plateia, brasileiros levantaram cartazes com dizeres "Moro na cadeia" e "parcialidade fere a democracia". Houve quem gritasse "Moro, meu herói". Os grupos trocaram insultos, segundo a publicação.

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