Por Tauan Saturnino
Da Folha de Pernambuco

O vereador e possível candidato à Presidência da Câmara do Recife para o biênio 2017-2018, Carlos Gueiros (PSB), se queixou nesta segunda-feira (26) da intervenção de secretários da Prefeitura do Recife, no cotidiano da Casa. Sem citar o nome do prefeito do município, Geraldo Julio (PSB), o legislador teceu críticas duras ao secretariado, bem como à possibilidade de candidatura do vereador Eduardo Marques (PSB), tido como postulante “oficial” do chefe do Executivo Municipal na Casa.

As declarações foram dadas após reunião com os secretários Alexandre Rebêlo, Planejamento e Gestão, e Antônio Alexandre, Planejamento Urbano, que discutiram a reforma do secretariado da cidade.

“Acho que a Prefeitura não devia ter candidato. O candidato devia ser escolhido livremente na Casa. Todos dizem que Marques é candidato da prefeitura. Isso sequer é velado. Nada contra meu companheiro, mas discordo de vir uma candidatura do Executivo. Com a minha candidatura já começa a haver a mudança, pois não sou oposição", afirmou Gueiros.

"Se me elegerem presidente da Casa serei presidente de um poder e não de meu partido ou da bancada de liderança do governo. Serei presidente da Casa, sabendo que preciso dar apoio do governo como membro do partido, mas com altivez. Com respeito. Que não venham secretários aqui para dentro dar ordens. A casa está cheia de secretários que vem para cá, casam, batizam, dão ordens. Isso não pode continuar, pois o poder fica diminuído”, disse.

Apesar de acreditar que existe uma postura de subserviência do Legislativo ao Executivo municipal, assim como pensa a candidata da oposição para a Presidência da Câmara, Marília Arraes (PT), Gueiros fez questão de falar que não pensa em se contrapor politicamente a Geraldo Julio. “A política da oposição é outra. Eles tem uma conotação política que não é meu caso. Não quero me contrapor à Prefeitura”, afirmou.

Voto aberto

Por sua vez, a vereadora Marília Arraes (PT) afirmou que se a eleição para a Mesa Diretora para a Câmara do Recife fosse aberta, o candidato apoiado pelo Executivo não ganharia conseguiria a Presidência da Casa. Esta será a primeira eleição da Mesa Diretora com voto aberto na Câmara do Recife. Arraes conta com o voto de quatro vereadores oposicionistas, incluindo a si própria, mas acredita na possibilidade de aumentar sua votação para 6 ou 7 vereadores, número insuficiente para garantir a vitória, uma vez que a Casa é composta por 39 vereadores.

“É difícil aumentar os votos. Para quem sabe como funciona nos bastidores, a perseguição que a Prefeitura exerce contra quem discorda é muito grande. Votar na oposição seria uma afronta muito grande. Existe um debate sobre o voto aberto na Casa pois, se tratando de eleição de Mesa Diretora e votação de vetos, é importante preservar o parlamento. Provavelmente, se o voto fosse secreto o governo não conseguiria eleger seu candidato e nós da oposição elegeríamos o presidente”, afirmou.

Autor da proposta que resultou na abertura de todas as votações na Câmara do Recife, incluindo as eleições para a Mesa Diretora e vetos do prefeito, o vereador Jayme Asfora (PMDB) disse que o voto secreto é “anacrônico”.

“Não concordo com Marília Arraes. A eleição da Mesa, um dos momentos mais importantes da Casa, tem que ser aberta para a sociedade observar. Independente de quem esteja no poder, a sociedade precisa acompanhar. O voto secreto é um anacronismo”, disse Asfora.

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