Hely Ferreira * 

O professor Rubem Alves contou que certa vez ao entrar em um dos vagões do metrô em São Paulo, percebeu que uma bela jovem o encarou. De repente, a moça fez a seguinte pergunta: O senhor quer sentar? Foi aí, que ele se deu conta que ela não estava lhe paquerando, mas oferecendo-lhe o lugar, já que ele se encontrava em uma idade senil e ainda não havia despertado para isso. Assim como Rubem Alves, recentemente, me dei conta que estou ficando velho. Não que alguma bela jovem tenha oferecido o seu lugar para mim. Os motivos são outros.

Sou de uma geração em que se pedia a benção aos pais e avós. Percebo que atualmente é difícil vê por parte dos jovens e até mesmo das crianças. Sou de uma geração que as pessoas mais velhas eram chamadas de senhor ou senhora. Agora é tu e você.

Sou de uma geração em que todos os clássicos do futebol pernambucano eram realizados no Arruda e ainda tinha rodada dupla com as quatros torcidas nas dependências do estádio José do Rêgo Maciel. Atualmente, apenas uma torcida é suficiente para implantar o terror dentro ou fora dos estádios.

Sou de uma geração em que o professor era respeitado pelos alunos e valorizado pelas famílias do alunado. Agora é bem diferente, o aluno não o respeita com anuência de alguns pais.

Sou de uma geração onde a chamada classe política era ovacionada pelo povo. Agora a população joga ovos. Sou de uma geração em que as cidades interioranas gozavam de certa tranquilidade. Atualmente, há retratos da violência em quase todas elas.

Sou de uma geração em que o aposentado fazia planos para gozá-la. Da maneira que estão conduzindo as coisas, sobrará apenas o dia em que ele será colocado em um esquife.

Depois de refletir sobre tudo isso, só tenho que concluir que estou ficando velho.

Hely Ferreira é cientista político e escreve no Blog da Folha todas as quintas-feiras.

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