Reunião da executiva do partido não contou com a presença de Paulo Câmara e Geraldo Julio
Reunião da executiva do partido não contou com a presença de Paulo Câmara e Geraldo JulioFoto: Divulgação

Carol Brito 

A apreciação da abertura do inquérito contra o presidente Michel Temer (PMDB) deverá voltar a dividir a sigla na Câmara Federal. As articulações para substituir membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) esbarraram na resistência da líder da bancada, Teresa Cristina (PSB-MT) e o presidente Michel Temer e seus aliados trabalham para conquistar apoios para rachar a agremiação. Ontem, a reunião da Executiva Nacional não trouxe nenhuma deliberação sobre o assunto e acabou esvaziada, pela ausência de lideranças como o governador Paulo Câmara (PSB), o prefeito Geraldo Julio (PSB) e o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), que participaram da inauguração da nova sede da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Por sua vez, o presidente Michel Temer almoçou na casa do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), em Brasília, em mais um compromisso fora da agenda oficial nesta semana. O parlamentar possui forte trânsito e influência no Congresso Nacional e na bancada do PSB. Ele é uma das lideranças insatisfeitas com o fechamento de questão da sigla contra as reformas da previdência e trabalhista. Aliado ao governo, o mi­nistro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), também vem recebendo diversos parlamentares em seu gabinete neste semana.

Vice-Presidente de Relações Parlamentares, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) avalia que o partido não pode "cometer o mesmo erro" de fechar questão sobre a votação correndo o risco de intensificar ainda mais o racha no PSB. Segundo ele, a melhor opção é deixar os parlamentares livres para fazer sua escolha.

"Eu espero que (a direção nacional) deixe livre. O erro que o partido cometeu nessa radicalização foi a decisão pelo fechamento de questão na votação das reformas, mas a divisão não existe só no PSB. Diversos partidos estão divididos em função da grave crise política. Apenas me posicionei contrário porque o fechamento de questão levaria a situação que levou e agora existe todo um esforço para que a gente chegue ao Congresso Nacional em outubro unidos", avaliou. Em relação à possibilidade de deixar o PSB, o senador afirma que qualquer alteração depende da reforma política cuja a votação no Congresso Nacional é esperada para este ano.

O deputado federal João Fernando Coutinho (PSB) também se posicionou contra a possibilidade de uma manobra para retirar os membros da Comissão de Constituição e Justiça. Para ele, qualquer tentativa de alteração seria "casuísmo". "Para cada uma das comissões, tem acordo diante de toda a bancada, porque é uma representação anual. O normal é que essas mudanças aconteçam a cada ano. Eu já abri mão de minha titularidade e não seria justo agora querer votar. A prerrogativa da indicação é do líder e isso é feito no início de cada ano legislativo. Qualquer mudança seria casuísmo", avaliou.

 

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