Daniel Coelho é deputado federal pelo PSDB
Daniel Coelho é deputado federal pelo PSDBFoto: Agência Câmara

Ao indicar que pode entregar a cabeça de chapa a Márcio França (PSB), para dar solidez ao seu projeto presidencial, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), abriu focos de insatisfação dentro do partido. A proposta, que recebeu críticas do presidente estadual da sigla e deputado federal, Bruno Araújo, e do prefeito de São Paulo, João Doria, também foi reprovada pelo deputado federal Daniel Coelho, que integra um grupo de jovens tucanos chamados de “cabeças pretas”. Na sua visão, Alckmin tem cometido “erros graves”, que podem frustrar seus planos.

Para Daniel, Alckmin “erra ao direcionar seu discurso para os políticos e aos partidos, ao invés de tentar se conectar com a sociedade”. “Vejo erros graves na sua postura. Acho até que ele é preparado e tem capacidade para ocupar um espaço de centro. Mas sua atitude está mais voltada para a articulação de alianças do que para o diálogo com população. Neste momento, devia ser o contrario”, afirmou.

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Segundo o deputado, neste aspecto, todos os pré-candidatos a presidente estão se equivocando, menos Bolsonaro. “Marina Silva, por exemplo, peca pela ausência de fala. O PT erra por insistir na tese de vitimização, com a condenação de Lula, e Ciro Gomes muda de opinião a cada dia. O único que está se comunicando diretamente com a população é Bolsonaro, mesmo com seu discurso limitado e suas opiniões equivocadas”, pontuou.

Assim como Bruno Araújo, Daniel Coelho avalia que o PSDB é um partido “orgânico”. Por isso, na sua opinião, o apoio a Márcio França não terá o aval da cúpula paulista. “Alckmin pode até indicar Márcio França para encabeçar a chapa. Mas se alguma liderança histórica colocar outro nome, o PSDB deve optar por alguém do partido. Vai ser muito difícil entregar a legenda para outra sigla em São Paulo”, disse.

Daniel também não acredita que o apoio de Alckmin a Márcio França deve influenciar as alianças costuradas pelo PSDB em Pernambuco. “Sempre se discute sobre o aval dos diretórios nacionais nas eleições. Mas, no final das contas, isso nunca determinou a condução das coligações nos estados”, explicou.

Racha

Após o racha dentro do PSDB-PE, em torno da composição do diretório em Pernambuco, Daniel Coelho ainda não voltou a falar com Bruno Araújo, que preside a sigla no estado. O deputado quase deixou a legenda para se filiar ao PSL, mas recuou após a agremiação decidir filiar o deputado Jair Bolsonaro, que tenta viabilizar sua candidatura presidencial.

“Estou sendo procurado por vários partidos, mas ainda não me decidi. Mantenho um canal de diálogo com o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM) e o senador Armando Monteiro (PTB)”, disse. Os dois integram o bloco de oposição no estado, que também conta com lideranças como o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o ministro Fernando Filho (Sem partido). O grupo, que articula uma candidatura ao governo estadual, se reuniu em Petrolina, neste sábado (27). Mas Daniel não compareceu ao evento.

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