Carros fazem filas para abastecer
Carros fazem filas para abastecerFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Entrevistado no programa Folha Política desta quinta (24), o cientista político José Nivaldo Júnior acredita que a crise gerada pela greve dos caminhoneiros no País pode provocar graves consequências sociais. Na sua visão, os erros relacionados às políticas públicas de transporte são históricos e este episódio é apenas a gota d’água, que pode desencadear episódios de revolta e violência, se não for tratado com responsabilidade, por parte do governo Michel Temer.

“Isso que está acontecendo é como se fosse um ser humano que fuma a vida inteira. E lá na frente pega uma virosa braba e aparece um câncer no pulmão, mas diz que esse câncer apareceu inesperadamente. Qualquer questão de baixar a Cide são emergenciais para socorrer o paciente na hora da crise. Mas as razões do processo vêm de muito longe. Erros foram acumulados historicamente. Nos anos 50, se fez opção pelo transporte rodoviário, abandonando o tranbsporte ferroviário, que é a base do transporte em todos os países desenvolvidos”, colocou o estudioso.

Para ele, a mudança recente na política dos combustíveis provocou esse choque vigente. “Recentemente, a política dos dois últimos governos foi de inclusão e facilitar o crédito. E surgiu uma rede de caminhões maior que a necessidade do país. Mas as estradas foram melhoradas e os percursos ficaram mais rápidos. Mais caminhões, melhores estradas, reducão do frete. E a gota d’água foi a mudança da politica de combustíveis que foi feita sem conotação social, mas levou a Petrobras a grandes dificuldades. Se adotou a política realista de preços e houve esse choque de aumento do combiustivel”, explicou.

Diante deste cenário, José Nivaldo acha que a insatisfação generalizada pode ser “potencialmente desestabilizadora”. “Não quero ser alarmista. Mas não quero subestimar o potencial de desestruturação social que esse movimento pode trazer. A sociedade está muito esagacada e isso cria um ambiente propício para expansão da revolta e violência”, disse.

Confira a íntegra da entrevista no Podcast Folhape:


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