Túlio Gadêlha
Túlio GadêlhaFoto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Convidado desta sexta-feira (25) do programa Folha Política, o pré-candidato a deputado federal pelo PDT, Túlio Gadêlha, criticou os rumos do seu partido na condução das articulações eleitorais em Pernambuco. Para ele, os acordos feitos pela cúpula da sigla prejudicam o surgimento de novas lideranças e movimentos que almejam ressignificar a própria lógica do sistema político atual. A legenda é comandada pelo deputado federal Wolney Queiroz, filho do ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz, que integra a Frente Popular e ainda pleiteia uma vaga na chapa majoritária.

Segundo Gadêlha, que comandou por dois meses o Instituto Instituto de Terras e Reforma Agrária do Estado de Pernambuco (Iterpe), mas foi exonerado exatamente por discordar com a interferência da política na emissão de títulos de posse de terra, o poder familiar que comanda o PDT-PE impede a renovação dos seus quadros. “As coligações no Brasil são feitas pragmaticamente para eleger os que já têm mandatos ou os presidentes de partido, que tão no seu núcleo de poder. Aqui no estado, tudo indica que vamos fazer coligação com PP e com PCdoB, no mesmo palanque. É uma salada de frutas”, afirmou.

“Aqui, a gente vive há mais de vinte anos uma comissão provisória que, de acordo com o estatuto, deveria ter vigência de seis meses. Mas essa comissão foi renovada mais de 40 vezes. A comissão dá um poder muito familiar à direção do partido. Já discutimos isso várias vezes, inclusive, com Paulo Rubem, que foi do PDT e saiu do partido por falta de espaço político. Eu fiquei lá na resistência, mas batendo de frente com esse sistema que engessa todos os partidos praticamente. Por isso que falo que esse acordo de cúpula prejudica os partidos e a democracia”, colocou o pedetista.

Questionado se sofre resistências internas para viabilizar sua postulação, Túlio afirmou que sua pré-candidatura “é um pedido de Ciro Gomes (pré-candidato a presidente pela sigla), que ele fez no início do ano passado e foi reforçado por Carlos Lupi (presidente nacional do PDT)”. “Não acho que deve existir resistência no PDT aqui em Pernambuco. Tudo isso está sendo discutido. Mas acho que podemos dar grandes contribuições neste processo eleitoral. Estamos discutindo amplamente essa possibilidade com o movimento Nós Acreditamos”, disse.

O Nós Acreditamos, que agrega lideranças de várias legendas de esquerda, foi lançado nesta sexta-feira (25), no Forte das Cinco Pontas, no Recife. Na ocasião, o antropólogo Anacleto Julião e o professor Rodrigo Bione, porta-vozes do movimento, debateram a democratização da política.

Ouça a íntegra da entrevista no Podcast Folhape:

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