Reunião pública contra o aborto foi encerrada. Manifestantes comemoram no Plenário da Câmara
Reunião pública contra o aborto foi encerrada. Manifestantes comemoram no Plenário da CâmaraFoto: Lúcio Souza/Portal FolhaPE

A vereadora do Recife Michele Collins (PP) convocou para a manhã desta quarta-feira (30) uma "Reunião Pública contra o aborto e em favor da vida", no Plenário da Câmara de Vereadores. A tentativa de realizar o encontro, no entanto, acabou frustrada e a legisladora encerrou a reunião por conta de protestos de mulheres presentes que são a favor da descriminalização da interrupção da gravidez.

Na chamada para o evento, Michele Collins informava a participação da americana Gianna Jessen, "sobrevivente de um aborto", que estará presente no Recife, além de cidades em Minas Gerais e São Paulo.

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Em inglês e com a ajuda de outra participante fazendo a tradução, a americana afirmou que falaria na sala "em nome de Jesus". "Eu venho em nome do senhor Jesus Cristo". "Você é amada por Deus, eu não sou contra você. Eu estou aqui para simplesmente dar um testemunho da minha própria vida como mulher", declarou.

Durante sua fala, Gianna contou que sobreviveu a um aborto, cujo método utilizado foi a introdução de solução salina no útero. "Fui salva pelo poder de Deus, Jesus Cristo. Eu nasci com paralisia cerebral como resultado direto de ter sido queimada viva no útero de minha mãe", afirmou a americana.

O seu depoimento, no entanto, foi engolido pelas manifestações no Plenário da Casa. "Não pode ser obrigação, não pode ser prisão", diziam. "É pela vida das mulheres, legalize, o corpo é nosso, é nossa escolha", e "o Estado é laico".

Gianna não conseguiu terminar o seu testemunho e, segundo Michele Collins, a reunião seria transferida para um lugar privado, para quem quisesse participar do debate e ouvir o que as convidadas tinham para dizer podiam fazê-lo.

Após a interrupção da reunião, a pré-candidata ao Governo do Estado pelo PSOL, Dani Portela, conversou com a reportagem da Folha de Pernambuco e afirmou que a manifestação reúne mulheres que querem tratar a descriminalização do aborto como uma questão de saúde pública.

"Estamos não como partido político, mas como vários coletivos de mulheres organizadas, de mulheres feministas, que querem tratar a descriminalização do aborto como um direito. Ao nosso direito reprodutivo, pela vida das mulheres. Que a gente não pode esquecer que quatro mulheres morrem por dia vítimas de aborto clandestino. E a gente sabe quem mais morre são as mulheres pobres, as mulheres de periferia, porque o aborto nunca deixou de ser feito. A gente quer que isso seja tratado não como uma questão jurídica, criminal e punitiva, mas como uma questão de saúde pública. Isso é uma das nossas pautas, uma das pautas do movimento feminista e por isso que nós estamos aqui, porque a Casa é do povo. E hoje eu vi uma coisa inédita aqui, todos os microfones foram retirados", relatou.

Após a confusão, a reunião acabou acontecendo em outro local - na sala da presidência da Câmara. O Blog da Folha foi informado que poderia entrar na sala quem quisesse ouvir o que os participantes tinham para falar. "Nós tentamos manter o debate no Plenário, propondo um acordo com os presentes para que pelo menos cinco representantes dos movimentos também pudessem falar. Mas, infelizmente, não foi possível sermos atendidos", afirmou Michele Collins.

Após os protestos, a reunião foi levada a uma sala da Câmara

Após os protestos, a reunião foi levada a uma sala da Câmara - Crédito: Divulgação

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