Por Hely Ferreira*

O chamado Liberalismo Clássico, surgiu como fruto das reivindicações feitas no século XVIII que preconizavam a liberdade individual. Ganhando outros contornos, como liberdade comercial e a livre iniciativa para a sociedade empreender seus negócios amparada na livre concorrência.

Com uma releitura do papel do Estado, o chamado neoliberalismo coloca em xeque a função intervencionista do Estado, repensando se o mesmo deve regular mais ou menos o mercado através de leis e da imposição de taxas, como respostas às crises econômicas. No Brasil, a agenda neoliberal foi adotada durante o governo Collorido, com a abertura econômica. Mas viveu o seu ápice durante a era FHC, com as privatizações. Basta lembrar que as estradas de ferro brasileiras foram abandonadas, vivendo um verdadeiro descaso. De maneira antagônica ao Brasil, a maioria dos países utilizam a malha ferroviária para transportar seus produtos. Diferentemente, o governo de FHC priorizou a malha rodoviária, não oferendo ao país outra alternativa.

O caos em que se encontra o país com os protestos legítimos dos caminhoneiros, é uma clara demonstração do legado maldito do período de Fernando Henrique Cardoso, transformando o Brasil, como diria Walter Benjamin, em uma rua de mão única. Na verdade, aquele período foi marcado por um governo que se dizia socialdemocrata, mas que se tornou refém das alianças esdrúxulas.

O pandemônio atual não é algo restrito ao atual governo, mas também aos que o antecederam. Ora com a agenda neoliberal, ora com o discurso do Dom Sebastianismo, que ainda serve para alimentar o imaginário popular.

*Hely Ferreira é cientista político e escreve no Blog da Folha às quintas-feiras.

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