Por Hely Ferreira*

A mais recente pesquisa que aferiu o interesse e a identificação do eleitor brasileiro com relação aos partidos políticos, reflete a insatisfação que o cidadão vive para com as agremiações partidárias.

No dia 09 de dezembro de 2004, a Transparência Internacional divulgou uma pesquisa, em que foi perguntado ao eleitor qual a instituição mais corrupta. Os partidos políticos apareceram em primeiro lugar. Pasmem, entre os 64 países em que o povo foi ouvido, o Brasil ficou de fora. Portanto, o quadro atual não é de causar espanto. Nem mesmo no conceito platônico. A indiferença para com os partidos políticos e a apologia a determinados pré-candidatos à presidência da República ou a qualquer outro cargo, que não possuem ideais democráticos, só promovem mazelas, já que não se resolvem os problemas democráticos, fragilizando o sistema partidário.

Pelo contrário, a saúde de uma democracia está atrelada ao fortalecimento dos partidos políticos. É bem verdade, que via de regra, o eleitor brasileiro pouco se preocupa com o partido que o seu candidato encontra-se filiado. Em contra partida, muitos candidatos disputam algum cargo público sem nenhuma identificação com o partido que lhe deu guarida, mas por uma questão de sobrevivência eleitoral e por causa do Art. 14, § 3º, V da Carta Política em vigor.

Entender os partidos políticos brasileiros é um desafio para ciência política, pois as alianças e coligações que são construídas, boa parte delas, ferem à lógica humana. Partidos e grupos políticos que antes eram rivais, se juntam não em torno do melhoramento do Estado-Nação, mas exclusivamente para perpetuação do poder. Por aí se entende a postura de alguns políticos, que mesmo sabendo não haver nenhuma relação ideológica com determinados partidos, sacrificam toda sua história ou da sigla, para concretização do projeto pessoal.

*Hely Ferreira é cientista político e escreve no Blog da Folha às quintas-feiras.

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