Convenções e tendências
Convenções e tendênciasFoto: Arte/FolhaPE

A última semana do prazo estabelecido pela legislação eleitoral para realização das convenções terá a provável consolidação de sete candidatos à Presidência da República. A exiguidade do cronograma, entretanto, não bastou para ajudar os partidos mais bem posicionados, como PT, PSL, Rede e PSDB, a encontrarem os vices das suas respectivas chapas. A expectativa é de que, ao longo da semana, os companheiros de palanque sejam anunciados, numa tentativa de tornar as candidaturas ainda mais competitivas.

Num primeiro momento, estão previstos os lançamentos de candidatura de Manuela D'Ávila (PCdoB), Henrique Meirelles (MDB), Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos). As candidaturas do PT, do PSDB, do Novo e da Rede, para analistas, já estão num patamar mais consolidado. Por outro lado, os nomes do PCdoB, do MDB e do Podemos, que tiveram desempenho tímido nas pesquisas de intenção de voto, são passíveis de negociação para formação de uma aliança. As legendas têm até 15 de agosto para registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que dá um fôlego a mais nessa "caça".

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Marina Silva, que provavelmente não irá retirar a candidatura, negocia formas de tornar seu projeto mais viável, já que, por não ter aliados, dispõe de pouco tempo de televisão. A pré-candidata tentou convencer o ator Marcos Palmeira para ocupar a sua vice, sem êxito, e também espera obter o apoio do Partido Verde, algo que ainda está em aberto. Variando entre 7% e 13% nas últimas pesquisas de intenção de voto, a ex-senadora empata tecnicamente com o deputado Jair Bolsonaro (PSL) em alguns cenários, fator que influencia diretamente o papel de Marina na corrida.

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está num cenário favorável, já que fechou o apoio com o Centrão recentemente e espera magnetizar outras alianças, catapultando seu nome nas pesquisas de intenção de voto. Contando com cerca de 6 minutos do tempo de televisão, Alckmin disputa o eleitorado da direita e da extrema-direita com Bolsonaro e, na visão de analistas, poderá sair em vantagem, já que a propaganda televisiva tem tido mais prestígio nas eleições, em detrimento da Internet, onde o capitão da reserva está mais bem colocado, com 5,3 milhões de seguidores no Facebook.

O tucano espera fechar um vice nos próximos dias, tendo o deputado federal Mendonça Filho (DEM) como um dos favoritos para o espaço. Nesse sentido, Alckmin tem ao seu dispor, no arco de alianças, PRB, PP, DEM, PR, PPS, PHS, SD, PSD e PTB. Já Bolsonaro, que encarou dificuldades para obter apoios do PR e do PRP, deve consolidar a jurista Janaína Paschoal (PSL) - autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff - como companheira de chapa.

O campo da centro-esquerda enfrenta o dilema de seguir adiante com candidaturas fragmentadas ou num projeto unificado. Havia, inicialmente, uma predisposição de unificação das esquerdas, desde que o PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e PCB assinaram um manifesto programático. Entretanto, o PT insiste na estratégia de lançar o nome do ex-presidente Lula, apesar da Lei da Ficha Limpa criar dificuldades à sua postulação. Esse cenário dificulta que partidos como o PSB e PCdoB sinalizem com uma aliança, já que os petistas não apresentam um nome que possa substituir Lula, caso a justiça o inviabilize. Diante desse impasse, Ciro Gomes também consegue avançar com seus respectivos apoios e também segue isolado na corrida, igualmente como os demais, à espera de um vice.

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