Deputado estadual Edílson Silva.
Deputado estadual Edílson Silva.Foto: Arthur Mota

Por Edilson Silva 

Quem me acompanha politicamente sabe da admiração que tenho pelo Ciro Gomes. É o quadro político do campo progressista que melhor consegue hoje vertebrar um discurso articulado de projeto de nação, de desenvolvimento, de soberania do nosso país.

Mas Ciro peca pela impaciência e pela descrença na capacidade das mobilizações populares do campo progressista de mudar a correlação de forças entre os projetos políticos em disputa no Brasil.

São pecados como estes que levam Ciro a ir ao programa Provocações, da TV Cultura, e afirmar que Lula é um defunto eleitoral e um enganador profissional. Não há contexto em que estas afirmações consigam ser bem interpretadas. São agressões gratuitas que só se explicam por uma polarização de Ciro não com o Lula ou com a cúpula petista, mas com uma militância petista mergulhada num ambiente de pouca racionalidade. Ciro, então, estaria se trocando com quem não deveria, revelando um raciocínio mais estomacal que cerebral.

Ciro talvez ainda encontre amparo para sua polarização forçada e, a meu ver, pouco inteligente com o PT e com um amplo movimento não partidário que apoia o Lula Livre, ao buscar ser o desaguadouro eleitoral para uma centro-direita e direita que está órfã com a desidratação cavalar do PSDB e do DEM, tentando ser assim a alternativa meramente eleitoral do que se chama de "Centrão" na Câmara Federal. Se for isso, Ciro repete uma fórmula que, na melhor das hipóteses, vai terminar em barganha fisiológica numa eventual chegada à presidência da República.

Ciro tem (ou tinha) história, retórica, capacidade intelectual e estatura de estadista pra ser opção de pólo de aglutinação de forças progressistas pra combater a extrema direita que hoje governa o Brasil e importantes estados e, mais que isso, engrenar uma marcha de projeto de nação para o nosso povo. Tem gente do MDB que cabe nisso, como o Requião. Tem gente do PSDB que cabe nisso, como os que estão em confronto com o governador Doria, em SP. Mas a localização política hegemônica disso precisa pender para a esquerda, de centro esquerda.

Não concordo de forma alguma com aqueles que lhe chamam de coronel. Acho isso até desrespeitoso com o Nordeste, pois figuras mais centralizadoras no sul e sudeste não são assim chamadas. Mas Ciro precisa ouvir os assessores que lhe dizem para pegar leve com os petistas. Sua postura de caudilho, essa talvez mais adequada, pode estar lhe cegando para o que está bem à frente de seu nariz. Desejo mais sabedoria pro Ciro neste quesito. O Brasil precisa de unidade das forças progressistas neste momento histórico e Ciro é parte da autoridade moral, política e intelectual que essas forças precisam conjugar.

Edilson Silva, ex-deputado estadual.

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