Fabrício Queiroz, ex-funcionário de Flávio Bolsonaro
Fabrício Queiroz, ex-funcionário de Flávio BolsonaroFoto: Reprodução/Youtube

O policial militar Agostinho Moraes da Silva, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), afirmou em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro que os investimentos feitos por Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador, rendiam até 18% ao mês.

Único ex-colaborador de Flávio a depor no procedimento que apura as movimentações financeiras atípicas de Queiroz, Agostinho corroborou parte das declarações do ex-assessor do senador em entrevistas. Mas levantou suspeitas sobre os negócios do investigado.

O depoimento, revelado pelo G1 na quarta-feira (20) e confirmado pela reportagem, foi dado em janeiro ao Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal). O caso agora está sob responsabilidade de promotores do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção).

Agostinho afirmou aos promotores que mensalmente transferia para a conta bancária de Queiroz R$ 4.000 como investimento para a compra e venda de carros. Ele afirmou que o colega lhe devolvia em dinheiro vivo entre R$ 4.500 e R$ 4.700 nos meses seguintes.
"O investimento era vantajoso para o depoente, na medida em que lhe retornava um valor maior do que seria em caso de investimentos bancários tradicionais", aponta a transcrição do depoimento. Ele declarou não saber o motivo pelo qual o retorno era dado em espécie.

Em entrevista ao SBT em dezembro, Queiroz já havia dito que realizava compra e venda de carros. "Sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro", diz ele.
A versão, contudo, não explica as transações feitas em dinheiro em espécie.

Queiroz se tornou alvo do MP-RJ após ser citado em relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) em razão da movimentação de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 em sua conta bancária -o valor soma entrada e saída de dinheiro.

Além do volume, chamou a atenção a forma com que as operações eram feitas. Queiroz realizava saques em dinheiro a cada quase dois dias. Os depósitos, também em dinheiro, ocorriam em datas próximas ao pagamento de salário de servidores da Alerj.

A coincidência de datas levantou a suspeita de que o ex-assessor fosse o responsável por recolher parte do salário de servidores do gabinete de Flávio para fins ainda desconhecidos. A prática é chamada de "rachadinha" em alguns gabinetes da Assembleia.

O valor repassado por Agostinho a Queiroz era dois terços de seu salário bruto na Alerj, de cerca de R$ 6.000. O PM também recebia R$ 8.500 da Polícia Militar.

O único depoente do caso, contudo, negou que o repasse fosse obrigatório. Ele disse ainda crer que Flávio não soubesse das atividades empresariais de Queiroz.

"Fabrício Queiroz sempre transpareceu receio de que essa atividade empresarial chegasse ao conhecimento do [então] deputado estadual Flávio Bolsonaro, pois acreditava que ele não concordaria com a forma que era realizada", afirmou ele.

Agostinho disse, porém, que não declarou o rendimento com os investimentos de Queiroz em seu imposto de renda.

Procuradas, a defesa de Queiroz e a assessoria de imprensa de Flávio não comentaram o depoimento.

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