Madalena (E),?Carol,?Rose, Raíra e Marcelle: juntas para dar voz e força às mulheres negras
Madalena (E),?Carol,?Rose, Raíra e Marcelle: juntas para dar voz e força às mulheres negrasFoto: Arthur de Souza

As mulheres são maioria no eleitorado brasileiro, mas isso não se reflete no número de representantes na própria política institucional. Isso porque as candidaturas disputadas por mulheres correspondem a apenas 31,4% do total. De acordo com dados das eleições deste ano, o número é ainda menor se o recorte for sobre cor/raça. Apenas 15,32% são mulheres negras. E é reconhecendo a necessidade de dar voz e espaço para essas mulheres que o projeto Mulheres Negras Empoderadas foi desenvolvido pelo Consulado Britânico, no Recife, em parceria com a organização social Politiquê, o Grupo Mulher Maravilha, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, a advogada Madalena Rodrigues e a cientista social Camila Mendes.

Entre os dias 13 de outubro e 17 de novembro, 20 mulheres participarão de cinco workshops gratuitos, sempre aos sábados, na sede do Grupo Mulher Maravilha, em Nova Descoberta. Em cada encontro, um tema será discutido com a contribuição de um dos parceiros. No primeiro dia, o tema é desigualdade de gênero. Nos subsequentes, os temas abordados serão racismo, política e democracia, controle e ativismo social. Por fim, no encerramento, as participantes serão convidadas a debaterem sobre os assuntos de todos os encontros. As inscrições devem ser realizadas a partir desta segunda-feira no Grupo Mulher Maravilha ou solicitando o formulário por meio do e-mail recife@britishconsulate.org.br.

A iniciativa visa auxiliar no processo construtivo, para que as mulheres sintam-se mais capacitadas a tornarem-se lideranças dentro das próprias comunidades. “A gente busca a construção da autoestima e fortalecimento de identidade nos encontros, principalmente sobre racismo e desigualdade de gênero”, pontua Raíra Cavalcanti, do Politiquê, ONG de mobilização e engajamento cívico.

Para a analista de relações internacionais, Marcelle Pessey, que representa o Consulado Britânico na ação, o objetivo é dar elementos para que as mulheres estejam aptas a falar sobre política e democracia, participando ativamente como cidadãs. “Queremos que elas possam disseminar isso dentro de casa, na comunidade, em um grupo de amigas, qualquer ação que leve isso para frente”, acrescenta Marcelle.

O cônsul britânico no Nordeste, Graham Tidey, destaca que mulheres negras, geralmente, estão nas classes mais vulneráveis. São as pessoas que ganham menos ou tem mais despesas, precisam cobrar os seus direitos e participar. "Acreditamos fortemente que a democracia é para todos. E por acreditar que todo mundo tem uma voz igual na democracia - isso sendo um dos nossos valores como país - queremos exportar isso. O Brasil é um país democrático e nós temos muito para aprender com vocês, mas onde existir uma demanda para engajar mais a democracia, a gente está muito feliz por ajudar", complementa.

Como resultado do projeto as participantes serão responsáveis pela produção de panfletos manuais, com colagens e figuras, para a distribuição do conteúdo. "Falar em representatividade é trazer essa mulher para que ela tenha voz, vez e espaço de fala. E esse empoderamento é justamente quando ela diz: ‘olhe, eu existo, eu estou aqui, eu resisto a esse sistema”, destaca Rose Santos, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco.

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