Flávio Dino (PCdoB-MA)
Flávio Dino (PCdoB-MA)Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Flávio Dino (PC do B), 50, foi reeleito governador do Maranhão neste domingo (7) com 59% dos votos válidos. Ele teve como principal adversária a ex-governadora e ex-senadora Roseana Sarney (MDB), 65, com 29%, filha do ex-presidente José Sarney, e consolidou a hegemonia em um estado que por anos foi dominado pelo grupo dos Sarney.

Diferentemente de 2014, quando eleito pela primeira vez, Dino pôde em 2018 pegar carona na popularidade do ex-presidente Lula no Nordeste, já que o PT oficialmente fez parte da coligação de 16 partidos -embora que, para aliados, a reeleição ocorreria mesmo sem o apoio de Lula. Quatro anos atrás, o PT esteve ao lado de Lobão Filho, do MDB, derrotado por Dino em primeiro turno.

Roseana também tentou se associar a Lula este ano, pegando o recall de parcerias recentes do MDB com o PT no estado e no cenário nacional, mas não funcionou. Não ajudou nem mesmo o fato de José Sarney ter retornado seu domicílio eleitoral ao Maranhão após quase 30 anos votando e se elegendo pelo Amapá.

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A campanha foi marcada principalmente por críticas dos adversários de Dino a programas como o Mais Asfalto, que liberou verbas para a pavimentação de ruas de dezenas de cidades maranhenses. O candidato do PSDB, o senador Roberto Rocha, citou por diversas vezes que Dino estava fazendo serviço que era responsabilidade de prefeituras.

Em 2017, em entrevista à Folha de S.Paulo, Dino disse que a população do Maranhão precisava de "serviço público" e era obrigação do governo ajudar. O programa de asfaltamento, porém, deu dor de cabeça a Dino: em agosto a juíza eleitoral de Coroatá, Anelise Reginato, determinou a inelegibilidade do governador por abuso de poder econômico.

A juíza afirmou que o programa Mais Asfalto foi usado na cidade do interior, em 2016, para beneficiar candidaturas de aliados de Dino na eleição municipal. Ele negou as acusações e recorreu, o que o permitiu concorrer à reeleição.

O foco da campanha de Dino foi a educação, com a promessa do aumento de número de escolas integrais, principalmente em áreas rurais. O Maranhão, segundo dados de 2016 do IBGE, é o estado brasileiro com maior número de pessoas vivendo em situação de pobreza, mais da metade da população (52,4%). Em seu programa de governo, Dino listou 65 promessas, destas 38 no capítulo "enfrentar as injustiças as sociais", como a criação de policlínicas e ajuda com recursos para reforma de moradias.

Dino foi por 12 anos juiz federal, período no qual presidiu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), entre 2000 e 2002, e esteve também como secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2006 decidiu entrar para a política e foi eleito deputado federal para o mandato de 2007 a 2011.

Em 2008 tentou ser prefeito de São Luis, mas perdeu a eleição para João Castelo (PSDB), derrota que se repetiu em 2010 para o governo do Maranhão, quando Roseana Sarney venceu no primeiro turno. Entre 2011 e 2014 foi presidente da Embratur, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff. Em 2014 se elegeu governador do Maranhão mesmo sem o apoio do PT.

Em abril de 2017 foi acusado em delação por José de Carvalho Filho, ex-funcionário da Odebrecht, de pedir R$ 400 mil em 2010 para sua primeira campanha ao governo do Maranhão, em troca defenderia projeto de lei que beneficiaria a construtora -ele negou as acusações.

O caso foi arquivado no STJ em agosto de 2017 a pedido da Procuradoria-Geral da República, que disse não ter encontrado provas. Na época o irmão do governador, Nicolao Dino, era vice-procurador-geral eleitoral e um dos principais assessores do procurador-geral Rodrigo Janot.

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