Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
Ex-presidente Fernando Henrique CardosoFoto: Divulgação / Instituto FHC

O plano inicial era que fosse o segundo passo, mas ele já está desenhado. Após insistir no apoio de Ciro Gomes (PDT) à sua candidatura, Fernando Haddad (PT) deve procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para firmar uma frente democrática contra a escalada de violência que, segundo o petista, é personificada na figura de seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

Apesar de o PDT de Ciro ter anunciado um "apoio crítico" a Haddad nesta quarta (10), o PT ainda articula para convencer o ex-governador cearense a participar da sua campanha de alguma forma. Dirigentes petistas afirmam que a prioridade é fechar com Ciro, incluindo propostas do pedetista no programa de governo e fazendo com que ele integre a equipe de Haddad.

Leia também:
PT não consegue demover Ciro, que anuncia apoio crítico a Haddad
Haddad tira Lula e reduz vermelho de material de campanha


A ponte com Ciro está sendo feita via Jaques Wagner, senador eleito da Bahia que assumiu a coordenação política da equipe de Haddad, e Camilo Santana, governador petista reeleito no Ceará.

O irmão de Ciro, Cid Gomes, esteve com Jaques na segunda-feira (8), por exemplo.
Com o apoio dos partidos de centro-esquerda -PDT, PSOL e PSB- formalizados, Haddad quer ampliar seu arco para outros setores e atores da sociedade e, assim, formar uma frente em defesa dos valores da democracia.

Nesta quarta, FHC disse à Folha de S.Paulo que Haddad ainda não entrou com contato com ele, mas fala "com todo mundo que me telefona com o maior prazer". "Tenho que esperar que os outros queiram alguma coisa", disse o ex-presidente tucano.

Questionado publicamente sobre quando irá procurar FHC, Haddad não respondeu.
Ainda nesta quarta, o petista recebeu em sua casa três integrantes de um grupo mais à esquerda do PSDB, coordenado por Fernando Guimarães, que entregou ao candidato uma carta que propõe "mediação para conter a escalada de violência no país".

FHC não estava entre os presentes e não faz parte do grupo, mas Haddad aproveitou o encontro reservado para dizer que sempre teve relação de diálogo com o ex-presidente da República, o que foi visto com o um aceno.

Uma reunião suprapartidária está sendo planejada para a próxima semana, mas ainda não há detalhes sobre os participantes. Em coletiva à imprensa em São Paulo, Haddad disse que está "conversando com todas as forças que queiram conter a barbárie". "Parte significativa do PSDB está muito preocupada com o que está acontecendo no país", disse Haddad.

Ele citou como exemplo um mestre de capoeira que foi assassinato nesta semana na Bahia após uma briga política -ele declarava voto no PT- e uma mulher que foi agredida e teve a suástica entalhada nas costas.

Os exemplos e a nacionalização da violência contabilizada por Haddad na candidatura de Bolsonaro serão utilizados, inclusive, nos programas eleitorais do petista na TV.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: