Cientista político Alex Ribeiro
Cientista político Alex RibeiroFoto: Pedro Farias

Por Alex Ribeiro, Doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia,
Cientista Político e Jornalista


“O comunismo constitui-se o inimigo mais perigoso da civilização cristã”, disse Getúlio Vargas antes de implantar o chamado Estado Novo em 1937 no Brasil. O discurso contra os simpatizantes ao regime comunista assim se solidificava no País e ainda reflete nos dias atuais.

Um dos grandes desafios em relação ao comunismo é a falta de informação sobre esta ideia que sempre foi colocada em oposição ao capitalismo. As eleições de 2018
escancaram esta desinformação realizada nas redes sociais e reproduzida para boa parte da população.

Apesar de toda narrativa contra, o comunismo sempre ficou no campo das ideias e
nunca chegou perto de sua formulação ideal no mundo e muito menos no Brasil. De acordo com Dicionário de Conceitos Históricos, o termo é um conjunto articulado teórico que baseia um tipo de sociedade e também uma ação política fundamentado na luta da classe trabalhadora com as classes dominantes.

A ideia do comunismo também é confundida com o socialismo. Os dois termos não
foram diferenciados pelos seus principais idealizadores: Karl Marx e Friedrich Engels.

Como surgiram nos movimentos políticos do século XIX, alguns grupos seguiram
caminhos diferentes. Uns queriam optar pela derrubada do sistema capitalista para
adoção imediata do comunismo e outros pretendiam chegar ao poder com medidas mais pacificas e de reformas progressistas – estes começaram a ser chamados de socialistas.

O socialismo foi o ideal de vários movimentos espalhados pelo mundo se espelharam em uma das figuras da Revolução Russa: Lenin. A Guerra Fria e outros movimentos ocorridos na Ásia e América Latina tiveram os ideias soviéticos como espelho e não a passagem pacífica do capitalismo ao comunismo como era argumentado por Marx e Engels.

Vale lembrar que as práticas sobre um ideal comunista eram diferentes em muitos
lugares. No Brasil, muitas vezes nem se chegava a ser um projeto de poder. Quando alguns grupos surgiam com apreço políticas públicas progressistas, de imediato eram associados ao comunismo e havia uma narrativa, fortalecidas pela repressão e propaganda, que o sistema iria contra as famílias e os cristãos. De acordo com Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, o discurso feito na época de Vargas, consolidou um imaginário anticomunista em boa parte da população católica e das classes médias e altas.

Esse imaginário foi fortalecido pelo General Góes Monteiro que defendeu a suspeição de direitos individuais dos políticos e lideranças populares que tinha apreço pelos ideais comunistas. O mesmo membro das forças armadas também foi responsável pela mesma repreensão na Ditadura Civil Militar Brasileira (1964-1985).
Os anos de chumbo no Brasil repudiavam as pessoas que iriam contra o regime, que eram chamados de terroristas e consequentemente associados ao comunismo.

Isso foi postergado na campanha de 1989, na qual o então candidato à presidência da República Fernando Collor de Melo alertava o perigo dos ideais comunistas e “da nossa bandeira jamais será vermelha”.

Com esses discursos qualquer grupo que estampa a cor vermelha em sua bandeira é taxado de comunista. Este sistema, que ficou preso no campo das ideias, virou um temor apocalíptico. A análise ficou tão delicada que vários atos realizados por sindicatos e grupos que representam a classe trabalhadora são taxados de “desocupados” e “vagabundos”. Onde parece que reivindicar alguma coisa do sistema vigente é ser contra o país, a não ser que esteja trajado das cores verde amarela – práticas realizadas em campanhas por Vargas, militares e Collor, e sabemos como terminaram essas histórias.

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