Zé Gomes é secretário Estadual de Organização partidária
Zé Gomes é secretário Estadual de Organização partidáriaFoto: Divulgação

O PSOL e as eleições municipais no Recife em 2020, protagonismo, independência e apresentação de um modelo alternativo de cidade com um programa anticapitalista.*

Zé Gomes

Secretário Estadual de Organização partidária

Executiva Estadual do PSOL Pernambuco


A coragem de afirmar o PSOL como projeto independente na esquerda, de resistir às pressões por atrelamentos automáticos e sem programa com setores que apesar da localização política e social são responsáveis pelo atendimento das demandas da elite e ataques aos direitos da população conquistados por décadas de luta e auto organização.

A coragem de absorver elaborações, construir parceria na visibilidade e aceitar o protagonismo na apresentação e defesa das pautas de setores que não se organizam nos espaços e formatos que a velha esquerda reconhece e tenta impor como correto.

A coragem de apresentar um programa sem conciliação de classe e defender que não construiremos um Governo de todxs e sim um Governo dos e das que lutam para e necessitam viver livres da opressão, de trabalhadores e trabalhadoras e de quem luta pela construção de uma cidade baseada em outro modelo, um modelo de cidade para as pessoas, com práticas e políticas públicas anticapitalistas, emancipadoras e ecologicamente sustentáveis.

Estamos em um momento de mudança na situação política, mudança essa que tem como marco e é causa e, ao mesmo tempo, efeito da eleição de Bolsonaro à presidência.

Essa mudança é para um regime político mais duro, com ataques à educação, à ciência e à arte, e limitações aos espaços democráticos e livres da sociedade. Hoje, a qualidade da democracia no Brasil é inferior à do período anterior, o Governo Bolsonaro tem como essência um projeto autoritário e ultra neoliberal.

Conjuntura e características do Governo protofascista, que representa o setor fascista da sociedade e se unifica com a totalidade da elite na pauta ultra neoliberal, terão profundo impacto tanto no processo eleitoral, levando ele para a polarização, nacionalização do debate e contraposição de projetos de sociedade, como em nossa participação, tal situação terá que refletir no programa, características e finalidades de nossa candidatura.

Temos consolidado o entendimento que necessitamos construir um recife que não existe, um Recife justo, igualitário, inclusivo, diverso, democrático, libertário e ecologicamente sustentável.

Precisamos apresentar candidatura e programa que sejam de conjunto, e que em todas as propostas, posições e ações tenham sentido e essência antirracista, antipatriarcal, radicalmente democrático, anticapitalista e antiproibicionista.

Como características da candidatura do PSOL, temos que ter inicialmente:

1 - O entendimento e a defesa do PSOL como protagonista, com independência e sem atrelamento ao projeto petista, a necessária defesa da democracia não se confunde com a anuência ou chancela ao ciclo de governos petistas que atenderam à elite econômica, atacaram direitos, executaram um projeto agressor ao meio ambiente e aos povos originários, não tiveram a firmeza na defesa das pautas de liberdades civis e estiveram como parceiros dos setores que historicamente sugaram as finanças do estado brasileiro durante o ciclo dos mega eventos e nos grandes projetos de infraestrutura no país.

2 - Firmeza no balanço do papel já cumprido pela frente popular e individualmente pelos partidos que a compõem, tanto nas gestões das grandes cidades de Pernambuco, como no governo estadual.

3 - Que não lamente e sim condene a opção consciente do pt e do pc do b de estarem como aplicadores e elaboradores da política do governo estadual e municipal, externando toda responsabilidade que esses têm no balanço de suas gestões.

Unidade como o novo, reconhecemos a importância da esquerda partidária, em especial das organizações socialistas. Porém não nos eximimos de localizar com prioridade hierárquica a necessidade de unidade no processo eleitoral com a esquerda social que tem feito luta constante na cidade do Recife.

Coletivos, organizações, redes, fóruns, frentes, articulações digitais e ativistas individuais que estão para além da legalidade partidária e organicidade do movimento social clássico.

Esquerda social em que parte significativa defende pautas dos oprimidos por séculos que só conseguiram afirmar seu protagonismo e representatividade nas últimas décadas, ao se libertar dos velhos e limitantes formatos de organização e participação política; bem como setores que defendem pautas contemporâneas e de grande emergência, mas que só as tem conseguido defender ao manter distância segura do formato e limitações que as velhas organizações políticas tentam impor como correto.

O Recife Arretado como parte da elaboração do programa.

Somos parte da articulação do Recife Arretado, iniciativa que tem se mostrado exitosa na amplitude de ativistas envolvidos e nas ações realizadas, permitindo experiências e acúmulos coletivos. A recente roda de diálogo na Associação Beneficente dos Cegos do Recife mostrou que as necessidades imediatas de diferentes segmentos da sociedade são de escuta e participação na elaboração e execução das ações da municipalidade.

A primeira etapa pública do Recife Arretado teve como centro uma enquete, que apurou a Mobilidade, com os elementos que engloba, como a pior característica/serviço da Cidade do Recife. Por anos temos sido a capital com mais tempo gasto por Quilômetro no percurso casa-trabalho/trabalho-casa, o sistema de transporte público metropolitano é caro e ineficiente, uma cidade onde as intervenções do poder público buscam atender ao transporte motorizado privado, em que as intervenções que alcançam o transporte coletivo sempre favorecem as empresas privadas de transporte. Uma cidade moldada para carrocracia, onde os outros modais são só peça publicitária.

O rechaço do atual modelo de cidade.

O resultado da enquete confirma a ideia central em nossa intervenção, precisamos construir uma cidade organizada a partir de um outro modelo, um modelo de cidade para as pessoas. No nosso programa precisamos ter a luta pelo direito à cidade como central.

Luta pelo direito à cidade é a luta por democracia

"O direito à cidade é muito mais que a liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos: é um direito de mudar a nós mesmos, mudando a cidade. Além disso, é um direito coletivo e não individual, já que essa transformação depende do exercício de um poder coletivo para remodelar os processos de urbanização."

David Harvey

A construção de outro modelo de cidade necessitará de democracia real, concretizada em espaços e mecanismo de escuta e definições sobre as ações da gestão, participação popular e controle social na elaboração e aplicação de políticas públicas e definições orçamentárias, são as medidas que podem permitir tal construção.

“(Recife)...Metade roubada ao mar,

Metade à imaginação,

Pois é do sonho dos homens

Que uma cidade se inventa.”

Carlos Pena Filho

Como escreveu o recifense Carlos Pena Filho, o poeta do azul, sonhos constroem as cidades. Infelizmente em seus quase 500 anos o Recife tem sido construído por sonhos de exploração, injustiça e opressão, a elite que assim sonhou, sugou suor, sangue e vida de homens e mulheres que construíram nossa castigada cidade. Sonhar não tem sido permitido no Recife para quem nela vive, trabalha e luta.

"Num mundo marcado por aquecimento global, desigualdades crescentes e crises, o socialismo tornou-se mais atual do que nunca."

Sâmia Bomfim, Deputada Federal, PSOL-SP

Viver é melhor que sonhar!

Apresentar um projeto exequível e anticapitalista é uma necessidade. Propor para o Recife uma possibilidade diferente de organização da sociedade, uma alternativa à exploração, à destruição da natureza e às opressões, que são a lógica do capitalismo, deve ser finalidade da participação do PSOL no processo eleitoral e centro para viabilização das vitórias políticas e eleitorais. Como escreveu a companheira Sâmia Bomfim em recente artigo: "É preciso falar de socialismo ...não há “humanização” a se esperar do capitalismo."

Não menos importante é que todos esses apontamentos e indicativos necessitam não apenas definir as questões relativas à Candidatura do PSOL para a Prefeitura da Cidade do Recife, a chapa de candidatos e candidatas à Câmara de Vereadores é parte fundamental para a apresentação do PSOL no processo eleitoral, temos que direcionar esforços para ampliação da bancada, o trabalho do mandato de Ivan Moraes mostra que se aumentarmos nossa bancada teremos uma intervenção mais profunda e próxima à população. O enraizamento do PSOL em Recife e sua consolidação como parte da vida política nacional nos coloca com grandes possibilidades para a construção de uma bancada ainda mais expressiva na câmara.

É necessário agradecer aos companheiros e companheiras que apontaram meu nome como possível candidato do PSOL à Prefeitura do Recife, o secretário geral nacional do PSOL, Leandro Recife; Thiago Carvalho, presidente do PSOL Recife; Áurea Cisneiros, dirigente municipal; Fran Silva, Dayson Caetano e Áureo Cisneiros, foram essenciais para que uma reflexão coletiva e militante organizasse nossa intervenção.

Um chamado à responsabilidade do PSOL!

O PSOL perderá muito ao não definir rapidamente o nome que irá apresentar seu programa no processo eleitoral. Durante o debate entre os pré candidatos do partido, ocorrido no dia 08 de Novembro, retiramos nosso nome, apostamos na unidade e que por consenso as forças da direção partidária definam o candidato, dos nomes postos o do companheiro Paulo Rubem passou a ser o por nós defendido. Além de ser o único dos nomes postos que possibilita a construção do consenso, Paulo tem todas as qualidades e características necessárias para representar o PSOL.

Fazemos um chamado público para que centremos o debate no programa e apresentemos imediatamente Paulo Rubem como candidato de consenso da direção partidária.

Por uma campanha pelo Socialismo e pela Liberdade!

Justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes!

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