Fogo Cruzado

Inaldo Sampaio

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Inaldo SampaioFoto: Colunista

Tancredo Neves estaria hoje morrendo de vergonha se tivesse tido oportunidade de ver o neto, Aécio, que ele preparou a vida inteira para ser político, sendo investigado pela Polícia Federal e o Ministério Público pela suposta prática de crimes que ele jamais imaginou: corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Teria também ficado aborrecido com a prisão da neta, Andréa, irmã de Aécio, igualmente envolvida na denúncia de Joesley Batista, e profundamente magoado com o mandado de busca e apreensão na casa de sua filha Inês, mãe de seus netos. O velho sábio político mineiro estaria estranhando a forma como se faz política hoje no Brasil, uma atividade mais policial do que pública dada a quantidade de deputados e senadores que estão processados e presos hoje no Brasil, incluindo um ex-presidente da República, dois ex-ministros da Fazenda, dois ex-governadores do Rio, um ex-governador de Minas Gerais e dois tesoureiros nacionais do PT. Tancredo fez política numa época em que os homens públicos estavam acima de qualquer suspeita e quando havia um caso de corrupção era a coisa mais rara do mundo, obrigando o corrupto a mudar de ramo pela impossibilidade de permanecer no ofício. Tancredo teve a sorte de não ver o neto envolvido em falcatruas e o neto também teve a sorte de não ver o avô vivo censurando os seus malfeitos. O avô preparou o neto para ser governador de Minas e presidente da Presidente da República. Governador ele foi duas vezes e presidente quase chega lá. Hoje, é uma espécie de cadáver insepulto. Teve pouco mais de 100 mil votos para deputado federal e até sua expulsão do partido está sendo defendida por um deputado que se elegeu vice-governador do Estado do Acre.

Pra direita
Bruno Araújo, candidato apoiado por João Doria (SP) para a presidência nacional do PSDB, defende levar o partido “mais para a direita” se quiser ter sobrevivência eleitoral. Seria a terceira mudança na linha doutrinária do PSDB, que nasceu para defender o parlamentarismo e depois a social-democracia. Agora que disputar o espaço do “centro-direita” com o PSL de Bolsonaro.

Rearrumação > As forças políticas de Santa Cruz do Capibaribe passam por um processo de rearrumação visando às eleições de 2020. O prefeito Édson Vieira (PSDB) perdeu o apoio do deputado Diogo Moraes (PSB), que se reaproximou do ex-vereador Fernando Aragão (PTB) e do ex-deputado José Augusto (Avante), que elegeu o filho, Augusto, presidente da Câmara.

Sem ninguém > Bolsonaro montou seu ministério sem ninguém do Norte do Nordeste e isso foi encarado com naturalidade pelas forças políticas dessa região. Ele não teve o apoio de nenhum dos 9 governadores da região mas o do Ceará, Camilo Santana (PT) deseja aproximar-se dele.

Intromição > A pedido do senador Lasier Martis (PSD-RS), o ministro Marco Aurélio (STF) expediu uma liminar determinando que a eleição para a mesa do Senado seja aberta e não secreta. Tipo da intromissão indevido em assuntos de outro poder temendo que no voto secreto, como deve ser esse tipo de eleição, Renan Caheiros (MDB-AL) seja presidente pela quarta vez.

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