Fogo Cruzado

Inaldo Sampaio

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Inaldo SampaioFoto: Colunista

Bolsonaro assumiu na terça (1º) a Presidência da República com 65% de expectativa positiva do povo brasileiro, segundo o Datafolha. É o segundo militar que assume a suprema magistratura do país pelo voto livre e direto dos brasileiros e o primeiro depois dos cinco generais que nos governaram durante o regime militar. Ele se elegeu com uma agenda conservadora do ponto de vista dos costumes e com a promessa de banir do país os resquícios do “marxismo” que porventura ainda existirem, especialmente no Itamaraty e no Ministério da Educação, a julgar pelos ministros que escolheu para comandá-los.

Este, no entanto, não é o principal problema do novo presidente, que herdou de Michel Temer um país mais arrumado do que recebeu. O seu grande problema (ou solução) é o ministro Paulo Guedes, a quem confiou a nomeação de todos os ocupantes da área econômica - Do Banco Central ao BNDES, do Banco do Brasil à CEF, do BNDES à Petrobrás, da Secretaria do Tesouro à Secretaria da Receita Federal. É a Paulo Guedes, portanto, que cabe a responsabilidade de conduzir os destinos da economia, fazendo com que o país cresça, que a taxa de desemprego caia, que a inflação se mantenha baixa e que o comércio internacional com os árabes não seja prejudicado pela decisão do presidente de transferir de Telaviv para Jerusalém a sede da embaixada do Brasil em Israel. É certo que o presidente é Bolsonaro. Mas será que é fácil demitir um ministro que enfeixa nas mãos tantos poderes? É por isso que uma das regras da política diz que não se deve nomear quem não se pode demitir, Em tese, Paulo Guedes é demissível, mas abriria uma crise política no governo sem precedentes.

Data incerta
Ainda não está previsto o primeiro encontro do governador Paulo Câmara com o presidente Bolsonaro, em Brasília, para tratar de assuntos de Pernambuco. O presidente estaria preferindo receber os governadores do Nordeste, em bloco, porque a pauta de todos é semelhante.

Sem amigos > Bolsonaro só tinha dois amigos na Câmara Federal quando se lançou candidato a presidente: Ônix Lorenzoni (DEM-RS) e Alberto Fraga (DEM-DF). O primeiro é o novo chefe da Casa Civil e o segundo ainda não sabe de terá cargo. 95% dos deputados que estão encerrando o mandato nunca apertaram a mão do novo presidente.

O décimo > João Doria (PSDB), novo governador de SP, levou para a sua equipe nove ex-integrantes do governo Michel Temer. Mas esqueceu o pernambucano Bruno Araújo, que também foi ministro do mesmo governo e o preferido dele para comandar o PSDB nacional.

O início > O prefeito Geraldo Júlio (PSB), ainda que não queira, vai ter que enfrentar a partir de hoje o debate interno no PSB para a escolha do candidato à sua sucessão. São cotados os deputados federais João Campos, Danilo Cabral e Felipe Carreras, e a estadual Gleide Ângelo.

A dor > Não foi sem dor que o governador Paulo Câmara livrou-se de três assessores do primeiro governo por quem tinha grande apreço pessoal: Márcio Stefanni, César Caúla e Rui Bezerra Filho. Steffani é paraibano de Patos, que há muito está “pernambucanizado”.

* Inaldo Sampaio é jornalista e escreve de segunda a sexta neste espaço.

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