Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Sem alterar nem elevar o tom de voz, Jarbas Vasconcelos usou a tribuna durante oito minutos. Ao contrário dos elogios feitos a Fernando Bezerra Coelho logo que fora consultado sobre o ingresso do senador no PMDB, ontem, arremessou duras críticas contra o novo correligionário e fez uma espécie de mea culpa ao registrar que, só há pouco, percebeu a intenção de FBC de ter o comando do partido no Estado. Só aí notou, explicou Jarbas, que Fernando estava "trabalhando para intervir no PMDB de Pernambuco". Dito isto, o deputado reforçou a tese que Raul Henry começou a trabalhar no dia anterior: tachou Fernando de traidor. O entendimento, nas coxias, é de que o eleitorado não perdoa traição. A referência não se dá em relação ao troca-troca partidário de Fernando, também listado por Jarbas, mas ao que o ex-governador definiu como "manobra ardilosa", que, segundo ele, está sendo "maquinada pelo senador".

Detalhe: na véspera da reunião da Executiva Nacional, Jarbas não pesou a mão sobre o presidente Romero Jucá, como também só falou de Michel Temer para lembrar que o apoiou desde o início de sua gestão. Temer, no entanto, foi entusiasta da movimentação que levou FBC a ingressar no PMDB e, segundo auxiliares, tratou do assunto em voo recente, reforçando o sinal verde para que tanto FBC como o ministro Fernando Filho realizassem a travessia. O pano de fundo foi a votação da denúncia da PGR contra o presidente. E Jarbas, no discurso, fez questão de grifar que votou "a favor da continuidade da investigação no caso envolvendo a JBS". Mas seguiu se colocando à disposição de Temer para "ajudar nessa penosa travessia que passamos". Diante da tormenta, que inclui relatório da PF sobre o chamado "quadrilhão" do PMDB na Câmara, para Temer, ser acusado de retaliação a Jarbas (fundador do antigo MDB) não é componente positivo, assim como também não interessa essa briga regional ganhar contornos nacionais.

Lenha na fogueira
Jarbas nem havia subido na tribuna ainda e um zum zum zum no PMDB já era grande, ontem, em torno da postura de dois socialistas: Adilson Gomes e Felipe Carreras. Os dois fizeram elogios a FBC e o segundo falou em ampliar parcerias com Miguel Coelho. Peemedebistas leram como "falta de solidariedade".

Extintor > Setores do PMDB lembravam que a briga que Jarbas e Raul compram contra o ingresso de FBC tem como objetivo também a manutenção da aliança com Paulo Câmara e que o PSB precisava chegar junto.

Bombeiro > Presidente do PSB-PE, Sileno Guedes registra que "independente das falas do PSB, a posição da direção do partido e de suas lideranças é de total solidariedade ao PMDB, a Raul e a Jarbas, pela forma sórdida e truculenta que o senador ingressou no partido".

Coronel > “O mundo da política tem que se indignar com essa forma coronelista de se tratar os partidos", defende Sileno.

Sem meias palavras > Sileno endurece: "O que Fernando quer fazer é transformar o PMDB de Jarbas Vasconcelos no PMDB de Temer, de Sarney. Isso aí a gente lamenta e se coloca de forma extremamente solidária à direção estadual".

Tamo junto > Após tomar conhecimento dos detalhes do ingresso de FBC no PMDB, Felipe Carreras, em nota, à noite, disse que, “não poderia deixar de me solidarizar com os quadros do PMDB-PE diante dos fatos recentes extremamente graves".

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