Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Rodrigo Maia
Rodrigo MaiaFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil

A lógica inicial das negociações relativas à disputa pela presidência da Câmara Federal era deixar PSL e PT "de fora" num cálculo de isolar os dois partidos. É assim que os parlamentares envolvidos nas conversas definem os planos originais. Mas o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, segundo colegas seus observam nos bastidores, "queimou a largada, fez uma conversa com o PSL sem combinar" e terminou por "quebrar a unidade que estava construída". Ontem, o PSB reuniu-se como programado. Foi feita uma consulta à bancada. E só um parlamentar dos presentes entendeu que a sigla deveria seguir junto com Rodrigo. A ampla maioria optou por um bloco que já vinha sendo trabalhado com MDB e PP, basicamente pelo fato de Rodrigo ter feito aliança com o PSL. Não houve deliberação formal sobre o recuo da aliança com o democrata porque o debate está se dando em conjunto com PCdoB e PDT, que ainda precisam se posicionar. A reunião teve caráter consultivo. O PDT terá encontros hoje e amanhã para tratar do assunto e o PCdoB na próxima terça-feira. Até a quarta-feira, segundo socialistas, deve sair uma deliberação formal do conjunto. Enquanto isso, Rodrigo cumprirá extensa agenda, percorrendo 20 Estados. O roteiro inclui: Paraíba e Ceará na próxima segunda, dia 14, Rio Grande do Norte no dia seguinte, Brasília no dia 16, Alagoas e Pernambuco no dia 17, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul no dia 18, Rio de Janeiro no dia 19, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná no dia 21, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais nos dias 22 e 23, Amapá, Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre nos dias 24 e 25. O bloco de apoio a Rodrigo soma mais de 260 parlamentares. Em tese, suficiente para ele ser eleito. Mas o voto é secreto e, na prática, deserções não estão descartadas. O democrata vai buscar votos, inclusive junto ao governador Paulo Câmara, em Pernambuco, no próximo dia 17, como a coluna antecipou ontem. Socialistas apostam, agora, em 2° turno.

Vínculo que afasta
Ao Blog de Andréia Sadi, Rodrigo Maia, em resposta às declarações da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, assinalou: "A Gleisi diz que não vai me apoiar. Então, enquanto o PT não se resolver, eu não procuro mais o partido". Do PSB, o deputado federal Danilo Cabral fez a leitura a seguir: "Essa é mais uma declaração que mostra que ele está comprometido com o governo Bolsonaro". Houve quem avaliasse, com base nisso, que Maia anda “dispensando voto”.
Curte e... > Uma das agendas de campanha que Maia cumprirá será com a bancada dos youtubers. "Bancada muito boa de voto. São os campeões de votos e são muitos!", realçou o deputado federal André de Paula, ontem, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7.
...compartilha > André de Paula, que vai ser líder do PSD, um dos primeiros partidos a declarar apoio a Rodrigo Maia, vai acompanhar algumas agendas do presidente da Câmara. Deve ir a Paraíba, Alagoas e ao Rio Grande do Norte. "Se estiver em Brasília, vou aprender com essa reunião dos youtubers", avisa André.
Liderança > André de Paula foi à mesa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anteontem. A reunião se deu na presença do atual líder do PSD, Domingos Neto (CE). O PSD está na condição de independência, mas o encontro com Onyx tem a ver com o papel de líder que André assumirá.
Cálculos - Antes de Onyx, André foi à mesa, na última terça, com o próprio Maia. Domingos Neto também participou desse encontro. André tem somado esforços com Maia nas articulações referentes à Mesa. Guarda de cabeça os partidos e os votos que Maia já angariou. Garante que são 264, podendo chegar a 320. Adversários dizem que Fábio Ramalho pode atrapalhar essa conta.

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