Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

As prisões do ex-presidente Michel Temer, do ex-ministro e ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco, e do coronel João Batista Lima Filho, apontado como "operador financeiro" de Temer, se deram um dia após uma reunião da Executiva Nacional do MDB, que foi marcada por constrangimento e na qual Moreira Franco estava presente. Ao convocar o encontro, a intenção do presidente da sigla, Romero Jucá, era dar alguns informes, segundo emedebistas, e falar da transição que pretende conduzir. Mas partiu do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, a fala mais dura em relação à conjuntura atual da legenda. Segundo correligionários que testemunharam a cena, Ibaneis chegou a defender a expulsão de emedebistas presos, disse que não tinha condição de estar num partido com um presidiário da qualidade do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e nem de um dirigente partidário, que tinha uma mala guardada com R$ 50 milhões. Referia-se ao ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima, preso preventivamente, em setembro de 2018, três dias após R$ 51 milhões em espécie serem encontrados no apartamento de um amigo dele em Salvador. Ibaneis fez os disparos diante do irmão de Geddel, Lúcio Vieira Lima, que reagiu. Lúcio chegou a advertir que Ibaneis, na condição de advogado, não deveria pré-julgar. Realçou que o governador foi presidente da OAB-DF, que a Ordem não presta contas aos tribunais de Contas e arrematou ainda que não sabia se quem afundou era mais culpado do que quem conseguiu se salvar. Ibaneis também sublinhou que o partido não tem mais quem fale por ele, não tem mais referência política. O nome de Ibaneis vinha sendo empinado pelo próprio Jucá para assumir o comando nacional da sigla e teria o apoio ainda de Temer e de José Sarney. As críticas de Ibaneis foram feitas diante de outros caciques, como Renan Calheiros, Eunício Oliveira e de um ex-vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, que era assessor especial de Temer e também chegou a ser preso pela PF em operação contra o desvio de recursos nas obras do estádio Mané Garrincha. Ontem, um dia depois do duro debate interno, a sigla parece ter perdido mais dois porta-vozes, na esteira das baixas já contabilizadas por Ibaneis.

Tem volta

Em grupos de WhatsApp, ontem, deputado federais falavam em "estratégia política da Lava Jato" e faziam associação entre as prisões e falas recentes do presidente da Câmara Rodrigo Maia, contra o ministro Sérgio Moro. Viram na Operação Radioatividade uma forma de intimidar Maia, genro de Moreira Franco, a aprovar as medidas de Moro.

Recado > "É uma jogada da Lava Jato para recobrar o apoio popular perdido depois da revelação do fundo bilionário. Temer nem julgado em 1ª instância foi. Não se animem, é avanço do autoritarismo!", argumentou um deputado, que vê recado “à política e ao STF”.

Cumpre-se > O senador Jarbas Vasconcelos, que não integra a Executiva Nacional e não estava na reunião do MDB anteontem, emitiu posição sobre a prisão de Temer: "A prisão de um ex-presidente nunca é algo a se comemorar. Mas decisão da Justiça não se discute".

Logística > Em meio à especulação, no Congresso, sobre retaliação a Rodrigo Maia, genro de Moreira Franco, o procurador Cristiano Pimentel, do Ministério Público de Contas, alerta para o seguinte: "Inviável ser retaliação. Uma operação dessas leva semanas de planejamento. A PF precisa mobilizar equipes em vários estados, programar diárias dos policiais, reservar avião. Mesmo o ministro da Justiça querendo, é impossível".

BRICS > Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar recebeu, ontem,
o ministro da embaixada da China, Song Yang. O encontro foi solicitado pela embaixada com objetivo de estreitar relações com o parlamento brasileiro e ocorreu na 2ª vice-presidência da Câmara. Os chineses convidaram o PSL a fazer parte do grupo de partidos políticos do Brics.

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