Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Presidente da Câmara, Rodrigo Maia não deve deixar MP caducar, mas destaque deve ser evitado
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia não deve deixar MP caducar, mas destaque deve ser evitadoFoto: Pedro Ladeira / Folhapress

Integrante da oposição, o senador Humberto Costa não arrodeia e diz que a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça foi “um recado muito forte (do legislativo) para o ministro Sérgio Moro e para o governo Jair Bolsonaro”. Se na comissão especial que discutiu a reforma administrativa, o resultado foi a favor de levar o Coaf para o Ministério da Economia, no plenário, no entanto, há expectativa de um placar no sentido contrário. Caso haja destaque com votação nominal sobre o Coaf, parlamentares projetam que a opinião pública pesaria e a votação seria revertida pró-Moro.

Líder do PSD, André de Paula, à coluna, observa: “No plenário, somos a maioria e vou trabalhar para que a gente seja maioria para que número maior de deputados da bancada votem a favor. Se houver votação nominal no plenário, vamos ter reversão e o Coaf volta a se subordinar ao Ministério da Justiça”, analisa. Na comissão, a maioria do partido dele optou pela ida do Coaf para o Ministério da Economia, razão pela qual ele precisou trocar, por mais de uma vez, o integrante do colegiado. O PSL teria número para fazer um destaque. O detalhe é que os líderes estão cientes de que, com um destaque, o Coaf retorna ao Ministério da Justiça. Resultado: nos corredores da Casa, já se fala em condicionar a votação da Medida Provisória a não haver destaque. Embora a manutenção do Coaf com Moro, considerado o cérebro de grandes investigações, a exemplo da Lava Jato, tenha peso para o governo, outros pontos como a Reforma da Previdência estão em jogo e há quem avalie que, na iminência da MP 870 caducar, o governo deverá acenar positivamente ao acordo. A referida MP acabou não sendo apreciada no plenário na última quinta-feira, quando o deputado Diego Garcia, do Podemos -que votou pela permanência do Coaf no Ministério da Justiça- apresentou um recurso para adiar a votação na Câmara. Ele acusou o presidente Rodrigo Maia de agir de forma “desleal” com o parlamento ao “atropelar” a ordem das medidas provisórias. Diante da provocação, Maia acatou o pedido de adiamento, mas foi claro ao devolver o seguinte: “Vossa excelência está tirando o Coaf do ministro Moro na tarde de hoje”.


Nó em pingo d´água
Na condição de líder do governo, o senador Fernando Bezerra Coelho fez o relatório a favor da permanência do Coaf com Moro. Mas, como a coluna já registrara, os integrantes do centrão, articulados com governistas, votaram no sentido oposto. Parlamentares avaliam que FBC foi "ninja", ficou "bem com a opinião pública, bem com Moro e bem com a oposição".
Voto...> Embora a favor da permanência do Coaf com Moro, André de Paula diz não ter se sentido constrangido de indicar um nome do PSD para comissão que votou no sentido contrário.
...vencido > "Isso é da lógica do parlamento. Aqui, o poder é dividido. Sempre fui maioria. Hoje, sou minoria. Sou obrigado a indicar o que a maioria quer. É minha obrigação como líder. Faço isso tranquilo porque entendo ser a regra do jogo".
À vontade > Indagado sobre a possibilidade de o senador Fernando Bezerra Coelho ocupar o Ministério da Integração, como se ventilou, o presidente do MDB-PE, Raul Henry, diz o seguinte: "Temos acordo com o senador de uma convivência pacífica e respeitosa. Entendo que é legítimo ele ter projeto dele de ocupar espaço no Governo Federal. Não vamos emitir juízo de valor sobre o projeto dele".

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