Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Rodrigo Maia/
Rodrigo Maia/Foto: Nelson Almeida AFP

Ainda em 2016, Rodrigo Maia, já na condição de presidente da Câmara Federal, defendera que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que estabelecia limite para a variação dos gastos públicos (PEC 241/16) seria “uma revolução na forma de se governar” no Brasil. Na ocasião, durante palestra para empresários em São Paulo, ele advertira: “Chega de os governos resolverem seus problemas transferindo a solução em forma de novos custos para a sociedade. Temos que melhorar a qualidade e a produtividade dos serviços, e a PEC gera isso”. Na sequência, ele afirmara que, a partir dali, se caminharia para outras reformas “mostrando aos brasileiros e aos investidores que o Brasil está voltando ao rumo correto, ao rumo do reequilíbrio fiscal”. Ontem, sobre o mesmo tema, Maia fez alerta no sentido contrário. Em Nova York, onde se encontra em viagem oficial, ele sublinhou que a chamada PEC do Teto de Gastos aliada à falta de crescimento pode gerar um “colapso social” nos próximos anos.

Maia falou a investidores reunidos pelo banco BTG Pactual e disse que parou de enaltecer o potencial da Reforma da Previdência de ressuscitar a economia devido ao problema iminente causado pela amarra orçamentária. “Por causa do teto, teremos que pensar solução para ter capacidade de ampliar gastos após reformar Previdência”, avisou. A fala de Maia guarda uma simbologia à medida que se assemelha ao discurso que a oposição já fazia ao se posicionar contra o teto de gastos. Um dos deputados que integrou a Comissão Especial da PEC do Teto de Gastos, Danilo Cabral realça o seguinte: “Nenhum País do mundo congelou o orçamento, por 20 anos, das políticas públicas, gerando uma disputa autofágica pelas migalhas do orçamento”. Danilo acrescenta que o ministro da Ciência e Teconologia, Marcos Pontes, teve seu orçamento cortado em 42%. “Ele disse com todas as letras que só tem orçamento para pagar pesquisas até setembro, mesma situação das universidades”, sublinha Danilo, cuja voz da oposição ganhou eco, ontem, na fala do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ontem, o ministro avisou que “não vai vender falsas esperanças” em relação à situação fiscal difícil que o País enfrenta. E completou: “Não adianta achar que vamos crescer 3%, a realidade é que estamos no fundo do poço”.


O último convocado foi Cid

Diante da convocação que a Câmara Federal realizou, ontem, do ministro da Educação, Abraham Weintraub, por 307 votos a 82, parlamentares lembravam que a última vez que deu-se episódio similar foi com Cid Gomes, então ministro da Educação, em 2015. No entanto, Cid foi à Câmara para se explicar sobre declaração de que a Casa teria de 300 a 400 parlamentares que "achacam".

Pavio... > Se os cortes no Sistema Único de Assistência Social (Suas) e a Reforma da Previdência não mobilizaram a sociedade até o momento, o deputado Danilo Cabral avalia que a greve nacional da educação, em protesto aos cortes de recursos impostos pelo MEC, pode funcionar como " a centelha que vai tocar fogo no rastilho de pólvora".
...curto > Danilo avalia que o governo jogou combustível num ambiente que historicamente sempre esteve na frente dos processos de transformação no Brasi. Em 2013, a mobilização começou com estudantes pela passagem de ônibus.
Itinerante > A Comissão Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Política de Aquicultura da Alepe vai a Palmares hoje. Pequenos, médios e grandes produtores de peixes e camarões se reúnem em audiência pública na FAMASUL, às 8h. O colegiado é presidido pelo deputado Waldemar Borges.

 

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