Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Dep. Felipe Carreras (PSB-PE)
Dep. Felipe Carreras (PSB-PE)Foto: Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Ele esperou dois dias para falar. E não tem pressa também para sair do partido. De antemão, no entanto, avisou duas coisas: não vai aceitar "um mandato parcial" e não atravessará para uma legenda "da base de Jair Bolsonaro". O deputado federal Felipe Carreras tem adotado o movimento de agir de forma pensada e deve repetir a prática após o Diretório Nacional do PSB decidir suspender os nove deputados que votaram a favor da Reforma da Previdência, incluindo ele. No entanto, não esconde, desde já, a decepção em relação à colaboração de correligionários do Estado no placar de 84 votos pró-suspensão. Nas primeiras declarações que deu ontem, chegou a citar a abstenção de Renato Casagrande e o voto divergente de Gonzaga Patriota no caso de Átila Lira, único expulso. Leia-se: foi surpresa para Felipe que companheiros da bancada pernambucana e da direção partidária tivessem se posicionado acompanhando o relator de plenário no Diretório Nacional. Indagado sobre a postura dos conterrâneos, Carreras se limitou a dizer à coluna: "Se fosse o contrário, eu não teria tido o comportamento. Eu não faria o que foi feito".

Se na política vale o gesto, o praticado pela ala de Pernambuco teve peso maior aos olhos de Carreras. Além dos deputados federais, o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio estavam presentes no dia da votação.

Líder do PSB, Tadeu Alencar, ao tratar da decisão tomada, por várias vezes, reforçou o "quórum elevado". À Rádio Folha, ontem, grifou que a decisão foi "amplamente majoritária, o que sinaliza a compreensão de que tinha que haver consequência". Tadeu citou os números do debate "feito numa instância partidária que tem 150 integrantes, só houve uma abstenção e sete votos divergentes". Carreras guardou esse volume na memória. A pessoas próximas, chegou a comentar que os votos de Pernambuco, em meio ao total de 84 a favor da suspensão, foram só mais alguns votos "sim". Quiz dizer que eles não mudariam o placar final, mas, caso fossem divergentes, teriam efeito simbólico.

Um por todos, todos por um
Indagado sobre o sentimento de Carreras, Tadeu Alencar defendeu que não se tratou de um caso de "solidariedade individual". E explicou: "Porque está em jogo uma coisa mais ampla que solidariedade". Externou "apreço e respeito" por Carreras, mas ponderou que a "posição não foi adotada olhando individualmente para penalidade", mas para a conduta na questão da previdência.
Coletivo > "Achamos que deveríamos acompanhar o sentimento do partido, que foi expresso majoritariamente no resultado da votação", explicou Tadeu. Antes, assegurara: "Não houve desejo persecutório". E destacou esforço para evitar "punição exacerbada".
Já viu... > As deputadas Marília Arraes e Teresa Leitão apresentaram, ontem, os nomes da Chapa Força Militante que vão concorrer a presidente e a vice do PT-PE, Glaucus Lima e Cristina Costa, respectivamente. Além de resistirem à tese de aliança com o PSB, estão empenhadas em evitar que se repita o episódio de 2018.
esse filme > "Tivemos 90% dos votos dos delegados (em 2018) e não conseguimos registrar a chapa, ainda que em discordância com a nacional , porque nós não tínhamos maioria da executiva estadual a favor de candidatura própria", recorda Marília Arraes.
Déjà vu > O sinal de alerta está aceso. "A mesma coisa pode acontecer em 2020, em 2022", considera Marília Arraes, realçando que “o processo de eleição interna é essencial".
Contraponto > Vereadora de Petrolina, Cristina Costa é herdeira política de Isabel Cristina, ex-deputada estadual. E tem o nome ventilado para concorrer à Prefeitura daquela cidade. Seria o contraponto a Odacy Amorim, que integra a ala adversária.

 

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