Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Forum NE 2019
Forum NE 2019Foto: Arthur Mota

Uma comitiva do setor sucroenergético desembarca em Brasília, hoje, para uma reunião com líderes partidários e representantes do governo Jair Bolsonaro. Motivo: negociar uma flexibilização do governo na decisão de ampliar a cota de importações anuais de etanol sem tarifa. O primeiro passo nessa articulação foi dado na semana passada, quando deputados aprovaram a urgência de um projeto de decreto legislativo capaz de sustar a decisão do governo. A lógica, inicialmente, foi mais de pressionar e tentar sensibilizar o Executivo. Mas detalhe: Só o PSL e o Novo votaram contra a urgência. Colocar para votar o mérito, no entanto, exige cautela maior, porque poria em risco a relação do Congresso com o Executivo. Seria a cartada, a qual só se pretende apelar em último caso. Resultado: a rodada de conversas desta terça-feira visa a evitar um embate maior. Presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha é um dos nomes do setor que integra a comitiva, formada também por empresários, a exemplo do presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro. O grupo deve ir à mesa com o líder do governo, Major Vitor Hugo, e com outros líderes. De Pernambuco, são esperados: Tadeu Alencar (PSB), Augusto Coutinho (Solidariedade), André de Paula (PSD), Daniel Coelho (Cidadania) e André Ferreira (PSC).

Parlamentares sabem que a isenção concedida em portaria publicada no final de agosto impacta os produtores brasileiros, mas, sobretudo, ela atinge em cheio o Nordeste. A rodada de negociação de hoje seria o caminho mais viável na busca de consenso. Em nome do Governo Federal, participarão o secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio, além de membros do Ministério de Minas e Energia e do Itamaraty. Representantes do setor querem saber se o governo vai querer manter a isenção que concedeu aos americanos e, se for assim, defendem alguns condicionantes no sentido de mitigar os efeitos. O tema foi à pauta, ontem, na 11ª edição Fórum Nordeste, evento promovido pelo Grupo EQM e indutor de discussões acerca das questões do desenvolvimento regional.


Sem atrapalhar moagem
Presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha lista possíveis condicionantes que ajudariam na formatação de um acordo. Um deles é o seguinte: "Já que há resolução do Ministério da Economia prevendo essa cota com isenção de tarifa de 750 milhões de litros, essa cota teria que ser destinada ao Centro-Sul, já que lá representa apenas 2% da produção".
Fórmula > Renato Cunha prossegue explicando que, no Nordeste, esse volume de etanol equivale a quase 88% da produção do anidro. "Portanto, uma das fórmulas de se negociar é que, durante três trimestres, entre pelos portos do Centro-Sul e, nessa regulação, que é apenas para o ano que vem, em junho, julho e agosto, entre nos portos do Nordeste", defende.
Fé em Maia > Quanto ao projeto de decreto da Câmara, devido ao caráter de urgência, não precisaria passar por todas as comissões. Há expectativa no setor de que Rodrigo Maia coloque-o em votação, caso não haja acordo na reunião de hoje.
Meio de campo > Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, tem sido visto como interlocutor fundamental e privilegiado do setor junto aos ministérios da Economia e da Agricultura. Age para mitigar, mas pede reflexão de olho no futuro.
musculatura > Fernando Bezerra e Raul Henry decidiram que o ex-prefeito Totonho Valadares deve ser o candidato do MDB à Prefeitura de Afogados da Ingazeira em 2020.  

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