Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Governador Paulo Câmara
Governador Paulo CâmaraFoto: Paullo Allmeida

Não está fácil fazer a divisão das emendas de bancada depois que elas se tornaram impositivas. Leia-se: antes, os deputados atendiam os pleitos do Governo do Estado, direcionando recursos para projetos indicados pelo governador sem fazer tanta conta, porque, talvez, essas verbas nem chegassem a ser liberadas. Eles mesmos dizem que era uma espécie de "faz de conta". Agora que eles têm certeza da liberação, os parlamentares andam mais exigentes. Nas coxias, reclamam dos pedidos feitos pelo Executivo estadual. "O governo dispõe de orçamento de R$ 36 bilhões e está pedindo dinheiro a deputado que só tem R$ 8 milhões (de emenda impositiva)”, dispara um parlamentar em reserva e sublinha que esse é o sentimento que ecoa na bancada de Pernambuco. Se nos bastidores as reclamações se multiplicam, o deputado federal André de Paula fala das referidas articulações com bom humor, mas, de alguma forma, deixa no ar o clima nada confortável instalado: "Já era um inferno quando se colocava as emendas e não saía o dinheiro. Agora que é impositivo, pode multiplicar esse inferno por um milhão". A emenda de bancada corresponde a R$ 16 milhões compreendendo dois parlamentares - daria R$ 8 milhões para cada um.

O governo pleiteia R$ 4 milhões de cada, contando com 15 deputados da base. O governador Paulo Câmara telefonou para os parlamentares, informando que seus secretários estariam em Brasília para tratar do tema. Foram à reunião com a bancada na última terça-feira: Alexandre Rebêlo e Alberes Lopes. Há pleitos diversos batendo na porta dos parlamentares, que priorizam suas bases. Eles vão de Museu do Exército a programa de computação do TRE, passando pelas obras estratégicas que o Governo de Pernambuco defende, como Hospital da Mulher e barragens. Em outras palavras, agora que os deputados sabem que as emendas vão além de uma carta de intenção, estão resistindo a ceder aos pleitos do Governo do Estado, que tem pela frente uma missão a mais em razão disso: negociar e convencer deputados.

 

Maomé vai à montanha
Os governadores, agora, precisam ter diálogo aberto com as bancadas e gerar contrapartidas para serem atendidos com emendas de bancada. É o que vem argumentando os deputados. Só pela liderança do PSD, de terça para quarta, passaram dois governadores: Romeu Zema reuniu-se com bancada de Minas Gerais e, ontem, às 9h, Renan Filho também teve reunião.
Próximo> O governador do Ceará, Camilo Santana, já disse ao deputado Domingos Neto, que, na próxima semana, estará lá em Brasília para dialogar sobre essas emendas.
Cobertor curto > Líder do PSD, André de Paula traduz o sentimento dos colegas: "Tem uma palavra que, às vezes, as pessoas acham que é feia, mas que é muito bonita e tem tudo a ver com parlamento, chama-se negociar. Precisa negociar, precisa convencer deputados que, de fato, isso é a prioridade de todas as prioridades, porque as prioridades são muitas e os recursos são poucos".
Chegue cá > Na última segunda-feira, Paulo Câmara recebeu Augusto Coutinho, um dos coordenadores da bancada pernambucana, no Campo das Princesas. Pauta: emendas de bancada.
Alevinos > De um deputado federal sobre o debate das emendas: "O governo do Estado não me deu um copo de alevinos (peixinhos) em 2019. Por que eu vou dar R$ 4 milhões, metade do que tenho direito em emenda impositiva, ao Governo do Estado?".
Prioridades > Em Brasília, Alexandre Rebêlo tratou de recursos para ações estratégicas, como o Hospital da Mulher em Caruaru, e Alberes Lopes foi pleitear recursos para a qualificação. 

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