Folha Política

Renata Bezerra de Melo

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Rodrigo Maia e João Campos
Rodrigo Maia e João CamposFoto: divulgação

 

"A minha preocupação é qual será o papel de uma CPI. Se for para ajudar, ótimo. Se não for, a comissão externa já cumpre esse papel de uma CPI". A ponderação é do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, em relação à CPI do Vazamento de Óleo, de autoria do deputado federal João Campos, mas que depende de Maia para ser instalada. O presidente da Câmara fez a consideração, ontem, após ele ser indagado pela coluna sobre resistência que teria, como antecipamos na última quinta-feira, à instalação dessa CPI. Maia emendou, lembrando que a comissão externa tem, "inclusive, despesas que a Câmara vai arcar, porque a gente entende que é importante a presença aqui". Nos bastidores, parlamentares já vinham alertando para o risco de que a referida comissão externa, autorizada pelo primeiro vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, enquanto Maia encontrava-se no exterior, viesse a ser uma forma de minimizar a necessidade de CPI.

À coluna, João Campos já citara o caso de Brumadinho para dizer que uma coisa não anularia a outra. O socialista também já admitira estar ciente dos contrapontos apresentados pelos representantes locais, tópico no qual Maia também tocou ontem. "A CPI tem outras questões que precisam ser avaliadas. Por exemplo, o trade de turismo, uma parte tem dúvidas se esse é o melhor instrumento, se não vai ficar gerando notícias negativas", observou o dirigente da Câmara à coluna. E acrescentou: "Outros já acham que não, que o assunto já está colocado, que é melhor que a Câmara participe e ajude". Nesse último caso, refere-se à posição já externada por João Campos, com quem jantou na última quinta-feira, quando o assunto foi à mesa. João e Maia estavam, ontem, na solenidade, promovida pela Novabio, na qual o democrata e deputados nordestinos foram homenageados pelo setor sucroenergético em função da articulação que levou o Governo Federal a rever as regras de importação de etanol sem tarifa. Foi nessa ocasião que Maia fez as considerações sobre a CPI e disse que deve conversar com João novamente "quando decidir". E essa decisão, segundo Maia, sai até hoje.


 

Comissão do Senado em PE
A comissão externa do Senado criada para acompanhar o vazamento de óleo estará em Pernambuco na sexta-feira. O senador Humberto Costa confirmou a agenda que deve reunir cerca de dez senadores. Além de visita à Itapuama, segundo o petista, haverá reunião com o governador Paulo Câmara e com a Capitania dos Portos.
Peça-chave > Ao saudar Rodrigo Maia em discurso, ontem, o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, sublinhou a capacidade de "moderação e governança" do democrata e assinalou: "Há figuras na política que são importantes. O senhor, hoje, é imprescindível".
Primeiro-ministro > Em meio a um processo de articulação que visou a compensar as dificuldades do Nordeste, Eduardo Monteiro lembrou que o fato de Maia ser do "Centro-Sul" carrega uma simbologia. E vaticinou que, se o País fosse parlamentarista, Maia seria o primeiro-ministro.
Tamo junto! > Indagado pela coluna se teria, de fato, colocado em votação -caso a conta não houvesse sido refeita- um projeto de decreto legislativo, capaz de sustar a medida do Governo Federal relativa ao etanol, Rodrigo Maia devolveu: "Teria e teríamos ganho! Por isso eles ajudaram".
no voto> No discurso, Maia narrou ter enfrentado o secretário especial do Ministério da Economia, Marcos Troyjo: "Já que eu sou burro e você inteligente, fico com minha posição, você fica com a sua e nós vamos derrubar a decisão do governo na próxima semana no parlamento". Referia-se a votar o projeto de decreto legislativo. 

 

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