Aloysio Nunes, ex-senador e ex-chanceler, foi alvo da Operação Lava Jato, e integra o governo do tucano como presidente da Investe SP
Aloysio Nunes, ex-senador e ex-chanceler, foi alvo da Operação Lava Jato, e integra o governo do tucano como presidente da Investe SPFoto: George Gianni/Divulgação

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), irá discutir na tarde de desta terça-feira (19) a situação de Aloysio Nunes Ferreira, seu correligionário. O ex-senador e ex-chanceler foi alvo da Operação Lava Jato, e integra o governo do tucano como presidente da Investe SP, agência de promoção de investimentos no estado.

Para Doria, o constrangimento não é novidade. Antes mesmo de assumir o cargo, ele viu um de seus principais aliados ser atingido pelas investigações da Polícia Federal: o indicado para chefiar a Casa Civil de seu governo, o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD).

No caso de Kassab, foi adotada a chamada solução Hargreaves, que emula o procedimento adotado pelo então presidente Itamar Franco quando surgiram denúncias contra o seu também chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves. Na ocasião, o acusado se afastou do cargo enquanto foram apuradas as irregularidades, reassumindo após ser inocentado.

Kassab licenciou-se. O caso dele, contudo, será muito mais demorado e dificilmente ele volta ao governo. O ex-prefeito foi central na montagem da aliança que elegeu Doria em 2018 e seu PSD também o será para os planos futuros do governador em 2022 -seja a reeleição ou a busca pela Presidência.

Aloysio diz que é inocente e deverá apresentar suas explicações a Doria no encontro que deverão ter no fim da tarde. Politicamente, contudo, será difícil parar o governador não esperar uma solução semelhante à de Kassab, já que adotou um discurso intransigente em relação a desvios éticos em seu governo.

Para complicar, ele é alvo da Lava Jato, operação que é o símbolo da onda de moralidade que desaguou na eleição de diversos nomes fora do establishment político no ano passado.

O ex-chanceler integra o grupo de dez ex-ministros do governo Michel Temer (MDB, 2016-17) que fazem parte do governo do tucano. Sua presença na administração, em particular, foi um gesto ao grupo mais tradicional do PSDB paulista, que foi dizimado nas urnas em 2018 e vê a ascensão quase solitária de Doria como líder do partido com desconfiança.

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