Encontro entre Lula e papa Francisco
Encontro entre Lula e papa FranciscoFoto: Ricardo STUCKERT / lula.com.br / AFP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou nessa quinta-feira (13) com o papa Francisco no Vaticano e disse ter conversado com ele "sobre um mundo mais justo e fraterno", incluindo a questão ambiental.

Segundo a assessoria do petista, a reunião durou cerca de uma hora. O Instituto Lula, em sua conta no Twitter, publicou fotos do encontro e citou a intenção de "discutir e pensar soluções para as injustiças e desigualdades no mundo".

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O ex-presidente chegou ao Vaticano por volta das 15h30 no horário local em automóvel com película escura no vidro. A Santa Sé informou que não divulgaria um comunicado oficial devido ao caráter privado do encontro.

Em entrevista coletiva, Lula afirmou que o papa "quer fazer coisas que sejam irreversíveis, que fiquem para sempre no seio da sociedade". "Acho que se todo ser humano, ao atingir os 84 anos, tiver a força, a disposição e a garra que ele tem, e levantar temas importantes para o debate, eu acho que a gente pode encontrar soluções [para os problemas do mundo] de forma mais fácil", disse o ex-presidente.

Diante da audiência marcada pelo papa Francisco, Lula pediu à Justiça Federal do DF para adiar um depoimento que ele iria conceder no âmbito da Operação Zelotes -inicialmente marcado para terça (11). O juiz Ricardo Augusto Soares Leite autorizou, e a audiência foi remarcada para a semana que vem, no dia 19. Lula retorna ao Brasil no sábado (15).

O encontro dele com o papa foi intermediado pelo recém-eleito presidente da Argentina, Alberto Fernández. No final de janeiro, os dois se encontraram e conversaram por quase uma hora.

Questionado sobre questões ambientais, Lula afirmou que não foi ao encontro para discutir especificamente a Amazônia. Ele disse que leu a "exortação" (espécie de documento no qual o papa orienta a igreja) elaborada por Francisco e publicada na quarta-feira no site do Vaticano. Afirmou que concorda com o teor do texto.

O documento foi elaborado após o Sínodo da Amazônia, realizado em outubro passado. Na quarta, Francisco descartou uma das propostas do encontro, de que homens casados pudessem ser ordenados padres na região da Amazônia.
Na exortação citada por Lula, o papa critica governos que se arvoram em argumentos como o de "não entregar a Amazônia".

"Para aumentar esta confusão, contribuíram alguns slogans, nomeadamente o de 'não entregar', como se a citada sujeição fosse provocada apenas por países estrangeiros, quando os próprios poderes locais, com a desculpa do progresso, fizeram parte de alianças com o objetivo de devastar, de maneira impune e indiscriminada, a floresta com as formas de vida que abriga", escreveu Francisco.

"Há uma má vontade, apesar dos discursos, dos governantes preocupados com a questão ambiental. (...) Enquanto a gasolina for barata, enquanto o petróleo for barato, não há interesse em mudar a matriz energética da maioria dos países. Nós estamos percebendo que é levar muito a sério um novo modelo de produção de energia", disse Lula após o encontro com o papa.

Na quarta (12), interlocutores do PT consultados pela reportagem afirmaram que Lula iria propor conversas relacionadas a temas como a redução da fome e da desigualdade.

Havia a expectativa de que, no encontro, também tratassem das condenações de Lula e de lawfare (termo que indica a ocorrência de disputas políticas travadas por meio do Judiciário), além da Amazônia.

Após 580 dias preso, Lula deixou a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba em novembro do ano passado. O petista saiu da prisão após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que mudou seu entendimento em relação à prisão de condenados antes do trânsito em julgado (fim dos recursos).

A defesa de Lula tem negado todas as acusações desde a apresentação das denúncias e classificado a atuação dos investigadores como perseguição política.

Quando Lula estava preso, em maio de 2019, ele recebeu uma carta do papa Francisco em solidariedade "às duras provas que o senhor viveu ultimamente".
O líder católico citava no texto a morte de dona Marisa, do irmão de Lula, Genival Inácio, e do neto dele, Arthur. A correspondência do Vaticano foi uma resposta a uma carta que Lula enviou ao papa Francisco em março.

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