Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo
Marcelo Álvaro Antônio, ministro do TurismoFoto: Reprodução/Facebook

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), usou suas redes sociais nesta segunda-feira (4) para dizer que é vítima de "denúncias vazias" sobre a campanha de outubro de 2018.

"Mais uma vez, a Folha de S.Paulo tenta desestabilizar o nosso governo com ilações falsas. Hoje, sou o alvo de uma matéria que deturpa os fatos e traz denúncias vazias sobre nossa campanha em Minas Gerais", escreveu o ministro.

A Folha de S.Paulo publicou nesta segunda reportagem mostrando que Álvaro Antônio, deputado federal reeleito e que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro em Minas, montou um esquema de candidatas laranjas no estado.

Abastecidas com R$ 279 mil dos fundos públicos eleitorais, quatro concorrentes do PSL tiveram votação irrisória -pouco mais de 2.000 votos- e declararam gastos com quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro.

"Reforço que a distribuição do Fundo Partidário do PSL cumpriu rigorosamente o que determina a lei. Todas as contratações da minha campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. É lamentável o desserviço prestado pelo jornal", acrescentou Álvaro Antônio, em suas redes.

A Folha de S.Paulo havia enviado nove perguntas específicas ao ministro, que respondeu apenas a parte delas, de forma genérica.

Ele não se manifestou, por exemplo, sobre os critérios de escolha das quatro candidatas -que estão entre os 20 postulantes do PSL no país que mais receberam recursos públicos de campanha- e do alto valor de repasse de verbas a elas.

Sobre a contratação de empresas ligadas ao seu gabinete, afirmou que essa decisão é de responsabilidade das postulantes.

A reportagem visitou as cidades de Ipatinga, Governador Valadares, Timóteo e Coronel Fabriciano, na região do Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais, e investigou as informações prestadas pelas quatro candidatas à Justiça Eleitoral.

Dos R$ 279 mil repassados pelo PSL, ao menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas que são de funcionários, familiares ou sócios de funcionários do hoje auxiliar de Bolsonaro.

Nesta segunda, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), criticou o ministro e cobrou manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre a denúncia.

"Duplo crime na prática do partido de Bolsonaro: fraudar a cota de mulheres e desviar recursos do Fundo Partidário", afirmou Gleisi nas redes sociais.

O PSOL também pediu uma posição do governo sobre o caso. "Enquanto não explicar com argumentos sólidos, ele deveria no mínimo ser afastado do cargo", disse o líder da legenda na Câmara, Ivan Valente (SP).

Segundo ele, o partido estuda entrar com ação no Conselho de Ética da Câmara para pedir a cassação de Álvaro Antônio, que também é deputado federal.

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