O líder do Movimento Brasil Livre, o deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP)
O líder do Movimento Brasil Livre, o deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP)Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O barraco desta segunda-feira (25) no Congresso veio de uma troca de farpas entre a líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), e o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), líder do MBL (Movimento Brasil Livre).

Ex-aliados durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), eles bateram via Twitter boca por causa da articulação política (ou falta dela). O clímax foi Joice chamando Kim, 23, de "moleque" e sugerindo que ele "pegue a chupeta e vá nanar". Kim falou à reportagem sobre o imbróglio. Ele critica a articulação do governo e diz que a reforma da Previdência morreu.

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O que o sr. achou do tuíte da deputada Joice Hasselmann que o chama de moleque?
Quando entra no terreno da baixaria, prefiro não responder. Minha crítica é à articulação política do governo.

E qual sua avaliação?
É uma catástrofe.

Por culpa de quem?
É principalmente por causa do perfil do Bolsonaro, de não querer dialogar com o Congresso, de não querer receber parlamentares, de falar para todos os ministros fecharem as portas, de não escutar os projetos. Ou seja, de não fazer articulação republicana. O governo está tentando transformar a articulação em sinônimo de corrupção. Quando na verdade é escutar os projetos [dos parlamentares] para eventualmente encaminhar nos estados. Construir pontes, fazer hospitais, é legítimo também. Isso não tem nada a ver com corrupção.

Como o sr. avalia as escolhas dele para sua liderança no Congresso?
Ele ficou traumatizado com o erro do major [Major Vitor Hugo, do PSL-GO, líder do governo na Câmara], que é um cara que não se impunha com os líderes, e aí acabou exagerando, tentando apagar o fogo com pólvora, nomeando a Joice.

Que consequência o estilo dela pode ter?
O efeito que gera é que quanto mais parlamentares ela ataca, mais sentimento de corpo contra o governo gera nos outros parlamentares.

Com essa situação, qual o futuro da reforma da Previdência?
A reforma encaminhada pelo governo morreu, não tem chance de ser votada e aprovada. Mas acho que também tem um senso de responsabilidade aqui de boa parte dos parlamentares. E mesmo a pressão dos governadores, que faz efeito. Acredito que talvez a gente retome o texto do Arthur Maia [relator da proposta apresentada no governo Temer], o que resolveria o problema a curto prazo da Previdência e ao mesmo tempo o centrão não seria derrotado.

Essa morreu por quê?
Principalmente pela questão dos militares, mas pelo conjunto da obra. Pela falta de tato do governo. No caso dos militares, dizer que a economia vai ser de R$ 90 bi, quando na prática vai ser de R$ 10 bi.

Esses ataques da Joice são dela, ou vem uma ordem de cima, do Palácio?
Eu acho que é a linha geral do governo, mas também vem ao encontro da personalidade dela.

Vocês tinham uma boa relação no passado, por exemplo durante o impeachment de Dilma, não?
Sim. Estivemos juntos. Mas ela não reconhece que o trabalho dela não está funcionando. E há um sentimento de que a única direita possível é a do Bolsonaro.

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