Cientista político Alex Ribeiro
Cientista político Alex RibeiroFoto: Pedro Farias

Por Alex Ribeiro, doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), cientista político e jornalista.

Entres os vários debates que são realizados após as eleições presidenciais, a discussão sobre a legitimidade dos fatos históricos é um dos que mais preocupam. Incentivado pelos discursos feitos por lideranças políticas, uma parcela da população fica cada vez mais descrente dos educadores e de pesquisadores com larga escala de produções cientificas.

Está na moda: minimizar a importância histórica é uma maneira de impor qualquer outra narrativa. O discurso de deturpação vem sendo utilizado em sua maioria por pessoas que se autodenominam de direita. Os argumentos são feitos para combaterem uma espécie de “doutrinação esquerdista, marxista, petista” realizadas nas escolas e universidades.

Para isso vale de tudo: de desconsiderar a Ditadura Civil Militar Brasileira, de minimizar o processo de escravização no Brasil e até de criticar a importância das conquista dos trabalhadores no período de Getúlio Vargas.

O que se percebe nessas discussões é que os argumentos contra os fatos históricos são feitos por pessoas não pertencentes ao universo acadêmico e distantes da realidade escolar. Eles enxergam uma realidade longíqua da sala de aula. Uma das funções do profissional de História é contribuir para fortalecer o senso crítico no aluno e na realidade que o cerca. A História traz à tona o passado para o presente para também desconstruí-lo.

A História “desmascara” os heróis inventados, sejam considerados de esquerda ou de direita. Não se pode negar a importância de pesquisadores que produzem para o grande público e saem da “bolha” acadêmica com argumentos contra personagens considerados ícones da militância da esquerda. Alguns jornalistas trazem debates antes presos nas universidades sobre a desconstrução desses atores. Vale lembrar que isso já é realizado nas instituições de ensino.

Nesses casos, os docentes têm sua parcela de culpa por não estender esses debates para outros espaços. Mas existem outros pontos que incomodam bastante aos críticos dos profissionais de História. Com as recentes produções acadêmicas grupos antes “esquecidos” ganham força e protagonismo nos atuais debates.

As pesquisas feitas em diversos arquivos espalhados pelo Brasil mostram a importância do papel da mulher, do negro, dos trabalhadores e de outras etnias no processo histórico brasileiro. São rostos antes esquecidos pela história tradicional que realçavam lideranças predominantemente masculinas ligadas aos mais altos cargos políticos e famílias consideradas “relevantes para a construção do país”.

Com os novos estudos históricos houve uma maior identificação da população brasileira com a formação do país. Se enxergar nos atuais objetos de estudo nas ciências humanas incentiva a mulher, o negro e pessoas que são descendentes de famílias consideradas pobres a terem mais legitimidade, a se sentirem mais representados. Não é à toa que movimentos em prol dos negros e do combate ao feminicídio ganham cada vez mais força.

Não é uma questão de ser progressista ou conservador. São correções históricas feitas por inúmeros pesquisadores espalhados no Brasil. E quando se conclama nos dias atuais que a História é significativa é porque as pessoas e suas diversidades também importam.

assuntos

comece o dia bem informado: